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Colesterol elevado contribui para recorrência do câncer de mama

Ana L R Valadares, MD, PhD sobre tema apresentado por Donald Mc Donnell no Congresso Mundial de Menopausa- Vancouver 2018

O câncer de mama continua a ser o câncer mais comumente diagnosticado em mulheres e é a segunda maior causa de morte por câncer neste público. Assim, além de desenvolver tratamentos novos e eficazes, há interesse significativo da comunidade científica em definir os fatores de risco para câncer de mama. Com estas informações poderão se desenvolver estratégias quimiopreventivas e de modificação do estilo de vida que podem ajudar a reduzir a incidência dessa doença.

Pesquisadores têm procurado conectar o colesterol ao câncer de mama há algum tempo. O colesterol elevado é uma comorbidade da obesidade e postula-se que o colesterol pode mediar os efeitos pró-metastáticos da obesidade.

Dados epidemiológicos sobre a relação entre o risco de aparecimento de câncer de mama e colesterol são controversos, com meta-análises indicando que não existe associação. No entanto, há forte evidência clínica do papel do colesterol na sobrevivência e recorrência do câncer de mama. Assim, pode-se dizer que o colesterol total elevado está associado ao aumento da recorrência do câncer de mama. Além disso, vários estudos retrospectivos indicam que as pacientes usuárias de estatinas apresentam recorrência do câncer de mama após um tempo significativamente maior que as não usuárias. Finalmente, artigo publicado recentemente sobre a fase III de pesquisa duplo-cego, incluindo 8010 mulheres na pós-menopausa com estágio inicial de câncer de mama invasivo e receptor hormonal positivo, trouxe informações relevantes. O estudo verificou que tomar medicação para reduzir o colesterol durante o tratamento com tamoxifeno ou inibidor de aromatase está associado ao maior tempo de sobrevida livre de recorrência, bem como ao maior intervalo livre de recorrência. Tendo em vista estas observações, parece que o colesterol é mediador de alguns dos efeitos da obesidade na metástase de câncer de mama. O metabolismo do colesterol no organismo produz uma molécula chamada 27-hidroxicolesterol (27HC), que se comporta como um modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM). Essa molécula exibe atividade agonista em células do câncer de mama e como tal é capaz de promover o crescimento de tumores receptores de estrogênio (RE) positivos. Estudos constataram níveis de 27HC elevados em tumores de mama quando comparados ao tecido mamário normal. Verificou-se também que a expressão aumentada de proteínas (CYP27A1), reguladoras da homeostase intracelular de colesterol e responsáveis pela síntese do 27HC, esteve associada a tumor mais agressivo. Além de seus efeitos sobre o crescimento do tumor primário, o metabólito de colesterol, ou seja, o 27HC elevado, facilita a metástase do câncer de mama através de suas ações sobre as células imunes. O 27HC leva as células do sistema imunológico a ignorar o câncer. Normalmente, o sistema imunológico é capaz de atacar e destruir as células cancerosas. Mas o 27HC engana o sistema imunológico e faz com que ele considere o câncer como normal. Os pesquisadores concluíram que o 27HC, que essencialmente sequestra o sistema imunológico, pode também estar associado com metástase aumentada do câncer de cólon, câncer de pulmão, melanoma e câncer pancreático.

Como o colesterol medeia os efeitos metastáticos de uma dieta com alto teor de gordura, por meio do seu metabólito 27-hidroxicolesterol, a ablação ou inibição da CYP27A1 (enzima responsável pela biossíntese do 27- hidroxicolesterol) reduz significativamente a metástase do câncer em modelos animais e pode ter papel relevante no controle do câncer de mama. Assim, diminuir os níveis de colesterol circulantes ou interferir para obstruir a sua conversão em 27HC pode ser uma estratégia para prevenir e/ou tratar o câncer de mama.

 

Referências bibliográficas

1. Kimbung S, Chang CY, Bendahl PO, Dubois L, Thompson JW,

McDonnell DP, Borgquist S. Impact of 27-hydroxylase (CYP27A1) and 27-hydroxycholesterol in breast cancer. Endocr Relat Cancer. 2017 Jul;24(7):339-349.

2. Baek AE, Yu YA, He S, Wardell SE, Chang CY, Kwon S, Pillai RV,

McDowell HB, Thompson JW, Dubois LG, Sullivan PM, Kemper JK, Gunn MD, McDonnell DP, Nelson ER. The cholesterol metabolite 27
hydroxycholesterol facilitates breast cancer metastasis through its actions on immune cells. Nat Commun. 2017

3. Touvier M et al. Cholesterol and breast cancer risk: a systematic review and meta-analysis of prospective studies. Br J Nutr. (2015)

4. Nelson ER et al. Cholesterol and breast cancer pathophysiology.Trends Endocrinol Metab. (2014)

5. McDonnell DP et al. Obesity, cholesterol metabolism, and breast cancer pathogenesis.Cancer Res. (2014)

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Curso Gratuitos – Emergências Obstétricas

 

Curso Gratuitos – Emergências Obstétricas

Fique atento: O Programa de Educação Médica Continuada do CRM-MG foi regionalizado. Para participar do curso o médico deve pertencer à Regional onde o curso é realizado.

Data: 5 de maio de 2018
Local: Regional Itajubá (Local a ser definido)

Data: 19 de maio de 2018
Local: Regional Montes Claros (Local a ser definido)

Data: 26 de maio de 2018
Local: Regional Sete Lagoas (Local a ser definido)

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Cursos Gratuitos – Emergências Ginecológicas

 

Curso Gratuitos – Emergências Ginecológicas

Fique atento: O Programa de Educação Médica Continuada do CRM-MG foi regionalizado. Para participar do curso o médico deve pertencer à Regional onde o curso é realizado.

Data: 4 e 5 de maio de 2018
Local: Regional Juiz de Fora (Local a ser definido)

Data: 25 e 26 de maio de 2018
Local: Regional Lavras (Local a ser definido)

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Violação infanto juvenil

*** Cláudia Barbosa Salomão – Presidente do Comitê de Ginecologia Infanto Puberal (Sogimig)

Minas Gerais é considerado um dos estados com maior número de denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes, sendo registrado nos dois primeiros meses desse ano 373 ocorrências contra 376, no mesmo período de 2015. De acordo com dados do Disque Direitos Humanos (Disque 100), no primeiro trimestre deste ano, foram denunciados 4.480 casos da violação em todo o país. Esses índices preocupam devido às consequências físicas e psicológicas desse tipo de abuso em uma fase tão precoce da vida, exigindo mais ações do estado e da sociedade. A dificuldade em diagnosticar, registrar e notificar os casos acaba agravando ainda mais a situação das vítimas.

De acordo com a Constituição Federal Brasileira de 1988, é dever da família, da sociedade e do estado garantir segurança à criança e ao adolescente, colocando-os a salvo de qualquer crueldade e opressão. Esse também é papel da classe médica. O profissional precisa saber sobre as atitudes necessárias para a resolução de problemas crônicos como, por exemplo, o atendimento técnico às crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e a subnotificação observada nesses atendimentos.

O acolhimento em situações de abuso sexual deve ser ainda mais humanizado e multiprofissional, pois se trata de um caso delicado, que envolve tanto a fragilidade física como emocional da vítima. Caso o médico não se sinta capacitado para realizar o atendimento, deve apresentar suporte para o paciente e encaminhá-lo imediatamente a um dos Centros de Referência ao Atendimento às Vítimas de Violência Sexual disponíveis na cidade. O atendimento deve ocorrer em até 72 horas após o fato, viabilizando, dessa forma, a profilaxia das doenças sexualmente transmissíveis e a prevenção de gravidez indesejada. A notificação também é obrigatória, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, quando há referência específica ou suspeita de abuso sexual.

Dentro dessa proposta, o Comitê de Ginecologia da Infância e Adolescência da Sogimig (Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais) e a Associação Médica de Minas Gerais (AMMG) desenvolvem projetos para conscientizar e instruir os profissionais da saúde do estado para oferecer um atendimento técnico ideal para crianças e adolescentes, como o Protocolo Atual de Atendimento à Criança e Adolescente em Situação de Violência, Notificação e Bases Legais.

É preciso ter ciência de que passar por esse processo de abuso é traumático para uma criança ou adolescente. A parte física e emocional pode ficar extremamente abalada, chegando a desenvolver, por exemplo, dificuldades em confiar nas pessoas, sintomas de erotização precoce e, até mesmo, sentimento de culpa constante. Nesse caso, é importante ficarmos atenta ao comportamento dos jovens. Mudanças na rotina e no relacionamento com o próximo são alguns possíveis sinais de abuso sexual. É dever do cidadão notificar casos em que haja referência específica ou suspeita de violência sexual.

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Aula: Kit de ferramentas para estudo de casos de natimortos evitáveis

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Aula: Workshop Sogimig 2015

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Aula: Workshop – Realidade da assistência obstétrica em Minas Gerais

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Aula: Workshop para implementação do protocolo de hemorragia puerperal nas maternidades de Belo Horizonte

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Aula: Vulvovaginites na infância

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Aula: Violência obstétrica