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ESCLARECIMENTOS SOBRE TRANSEXUALIDADE E O DIA DO ORGULHO LGBTQIA+

artigo redigido por Dra. Stany Rodrigues Campos de Paula e Dr. Eduardo Siqueira Fernandes – membros do comitê de sexualidade da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig)

Esta sigla, muitas vezes incompreendida, é de vital importância para representar toda uma parcela da população que se vê em uma luta para conquistar respeito, dignidade e visibilidade. A data é celebrada mundialmente e marca um episódio ocorrido em 1969, no bar Stonewall Inn, em Greenwich Village, nos Estados Unidos. Nesta data, gays, lésbicas, travestis e drag queens enfrentaram a força policial. O momento serviu como base ao Movimento LGBT pelo mundo. 

A letra “T” representa as diversas pessoas de identidades trans. Em uma síntese, não totalmente justa com o que representa, ser uma pessoa trans seria não estar congruente com o gênero atribuído ao nascimento e sim a um outro gênero, seja o gênero oposto, seja um gênero não descrito. Pessoas com incongruência de gênero necessitam de cuidados de saúde amplos, sejam mentais ou físicos  multidisciplinares diante da diversidade de identidades e suas particularidades. As dificuldades psíquicas envolvem questões relacionais, familiares e sociais, que resultam em altas taxas de tentativa de automutilação e autoextermínio, se não observadas.

As modificações corporais podem ser obtidas por tratamentos hormonais e/ou cirúrgicos, quando desejadas. Ser trans não necessariamente envolve uso de hormônios ou submissões cirúrgicas.

Os procedimentos possíveis envolvem, para mulheres trans, uso do hormônio estradiol, associado ou não a bloqueadores de androgênios. Eles permitem o crescimento e o desenvolvimento de mamas e uma mudança na silhueta corporal, deixando o corpo com características femininas. Cirurgias para mulheres trans envolvem colocação de próteses mamárias, harmonizações faciais e substituição da genitália de nascimento por uma vulva e um canal vaginal. Procedimentos estéticos, como laser para retirada de pelos, também podem ser desejados. Apesar do estradiol levar a uma atrofia testicular e redução do tamanho do pênis, mulheres trans e travestis que mantiverem atividade sexual penetrativas, necessitam usar preservativos, pois o risco da parceria engravidar, apesar de pequena, existe.

Já para homem trans, a hormonização cruzada com testosterona permite uma modificação da voz para tons mais graves, o aparecimento de pelos e barba e o desenvolvimento da musculatura. Pode ocorrer a suspensão da menstruação pela ação da testosterona durante o processo. Sempre bom ressaltar que, apesar de suspender a menstruação, a testosterona não tem efeito contraceptivo, devendo os homens trans em relações com penetração vaginal usarem um método anticoncepcional. Procedimentos cirúrgicos envolvem basicamente a mastectomia, retirada do útero e ovários e a substituição da genitália de nascimento pela construção de um pênis.

A classe médica e toda a população precisam se capacitar para assistir e cuidar com princípios éticos de cada indivíduo que se encontra em um estado de vulnerabilidade no sentido de minoria. Devemos destacar que em 2019 a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero passou a ser considerada crime no Brasil e o combate à LGBTQfobia continua.

Cuidados por toda a vida:

  • Homem trans que já tenham tido relações penetrativas vaginais, devem realizar regularmente o exame de prevenção ao câncer de colo do útero. Além de realizarem mamografia entre os 50 e 69 anos, em todo homem trans, que não foi submetido à mastectomia e em mulheres trans ou em travestis, que fizeram ou fazem hormonização por no mínimo cinco anos, de acordo com os critérios do Ministério da saúde .
  • Mulheres trans e travestis devem realizar avaliação prostática regularmente a partir dos 40 anos de idade, seja através do toque retal ou por complementação pelo dosagem do PSA, também de acordo com os protocolos de risco para cada população.