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Diabetes gestacional

Caracterizado pelo aumento dos níveis de glicose no sangue durante a gravidez, o diabetes gestacional pode trazer complicações à saúde da mulher e do bebê. Entre seus desdobramentos, estão prejuízos aos rins e hipertensão. A condição ocorre em aproximadamente 4% de todas as gestações.

Não se sabe ao certo por que o diabetes gestacional se desenvolve. Sabe-se que o diabetes normal acontece quando pâncreas não é capaz de produzir o hormônio insulina em quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo, ou porque este hormônio não é capaz de agir de maneira adequada (resistência à insulina). Seu corpo digere o alimento que você come para produzir açúcar (glicose) que entra em sua corrente sanguínea. A insulina promove a redução da glicemia ao permitir que o açúcar que está presente no sangue possa penetrar dentro das células, para ser utilizado como fonte de energia. Portanto, se houver falta desse hormônio, ou mesmo se ele não agir corretamente, haverá aumento de glicose no sangue e, consequentemente, o diabetes.

Durante a gravidez, a placenta, que liga o seu bebê para seu suprimento de sangue, produz altos níveis de vários hormônios. Quase todos eles prejudicam a ação da insulina nas células, aumentando o nível de açúcar no sangue. Dessa forma, uma elevação modesta de açúcar no sangue após as refeições é normal durante a gravidez.

Conforme seu bebê cresce, a placenta produz mais e mais hormônios que atuam no bloqueio de insulina. No diabetes gestacional, os hormônios placentários provocam um aumento do açúcar no sangue em um nível que pode afetar o crescimento e o bem-estar do bebê. O diabetes gestacional geralmente se desenvolve durante a segunda metade da gravidez.

Geralmente, o diabetes gestacional se cura logo após o parto. Mas se você teve diabetes gestacional, você está em risco para o diabetes tipo 2. Dessa forma, é importante manter os cuidados e acompanhamento médico mesmo após ter o bebê.

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Você conhece o pré-natal masculino?

O mês de novembro é marcado pelos alertas sobre o cuidado com a saúde do homem. O chamado Novembro Azul chama a atenção principalmente para a prevenção do câncer de próstata, tipo mais comum entre os homens. Por isso, pensando no público masculino, vamos falar sobre um tema desconhecido por muitos futuros papais: o pré-natal masculino.

A ideia de que o atendimento pré-natal é responsabilidade única da mulher, sem haver necessidade de participação do parceiro, é um dos fatores que reforçam o peso maior de cuidado dos filhos sobre as mulheres. Para combater essa desigualdade e fomentar a prática de uma paternidade ativa e cuidadora antes, durante e depois do nascimento do filho, além de prevenir doenças, o Ministério da Saúde normatizou o programa de pré-natal do homem.

A ideia geral da iniciativa é que o homem acompanhe a parceira nos exames de pré-natal da gestação e já aproveite para realizar os seus próprios check-ups. Entre os exames comuns do pré-natal masculino sugeridos pelo programa do Ministério da Saúde estão:

  • Exames de sangue completos para averiguar possíveis doenças crônicas, como diabetes ou doença falciforme, e controle do colesterol;
  • Fator Rh (antígeno presente no sangue) para comparar com o da mãe e checar se há riscos para o feto;
  • Aferição de Pressão Arterial para prevenção da hipertensão;
  • Verificação de peso e IMC – Índice de Massa Corporal;
  • Testes de DSTs – Doenças Sexualmente Transmissíveis, como a AIDS e a sífilis, que podem ser transmitidas da mãe para o feto e acarretar consequências graves;
  • Exames para detectar hepatites, principalmente os tipos mais perigosos (B e C).

 

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Preservação da fertilidade em mulheres com câncer de mama

O câncer de mama é o câncer mais comum em mulheres e, em 2017, a American Cancer Society (ACS) estimou que haveria 252.710 casos de mama invasiva diagnosticados em s nos EUA e 40.610 mortes. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) esperava que entre 2014 e 2015 57120 novos casos de câncer de mama fossem diagnosticados. Os dados disponíveis mostram que uma em cada 8 mulheres desenvolverão câncer de mama durante a vida e que 6 a 10% delas estão abaixo dos 40 anos de idade. Infelizmente, muitas ainda não terão tido filhos no momento do diagnóstico enquanto outras ainda terão desejo de nova gestação.

Os avanços obtidos em oncologia nos últimos anos melhoraram significativamente o prognóstico de mulheres com câncer de mama, mas muitos dos tratamentos usados como a quimioterapia e a radioterapia podem afetar a fertilidade destas mulheres.  A boa noticia é que há opções seguras e eficazes disponíveis para manter a capacidade reprodutiva para aquelas que assim o desejarem. Entre as técnicas disponíveis, o congelamento de óvulos e embriões são as recomendadas segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM). Como para ambas é necessária estimulação dos ovários, sua realização deve preceder o início da quimio ou radioterapia.  Dessa forma, a avaliação de especialista em medicina reprodutiva e a disponibilização de informações adequadas sobre a preservação da fertilidade de modo a permitir decisão livre e esclarecida neste contexto são aspectos importantes na abordagem destas mulheres.

A percepção de que a realização de estímulo ovariano para preservação da fertilidade e a gravidez podem piorar o prognóstico do câncer permanece, apesar de não haver evidências científicas consistentes para apoiar essa noção. Estudos publicados mostram resultados tranquilizadores para gestações que ocorrem> 2 anos após o diagnóstico de câncer de mama. As melhores evidências publicadas sugerem que a gravidez após o câncer de mama não aumenta o risco de recorrência da doença, portanto, não deve ser proibida após o término do tratamento. Assim, a recomendação das principais sociedades de oncologia e medicina reprodutiva é que as mulheres sejam amplamente informadas e que oncologistas e especialistas em medicina reprodutiva trabalhem em conjunto para oferecer a melhor opção em termos de segurança e eficácia com manutenção da qualidade de vida destas mulheres.

Autora do texto: Márcia Mendonça Carneiro

Presidente do Comitê Científico de Endometriose da Sogimig

 

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Outubro Rosa: É hora de alertar sobre o câncer de mama

O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor.

Há vários tipos de câncer de mama. Por isso, a doença pode evoluir de diferentes formas. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais lentamente. Esses comportamentos distintos se devem a característica próprias de cada tumor.

O câncer de mama é o tipo da doença mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, correspondendo a cerca de 25% dos casos novos a cada ano. No Brasil, esse percentual é de 29%.

O câncer de mama não tem somente uma causa. A idade é um dos mais importantes fatores de risco para a doença (cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos).

Cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis como:

  • Praticar atividade física;
  • Alimentar-se de forma saudável;
  • Manter o peso corporal adequado;
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Amamentar
  • Evitar uso de hormônios sintéticos, como anticoncepcionais e terapias de reposição hormonal.

 

O câncer de mama pode ser percebido em fases iniciais, na maioria dos casos, por meio dos seguintes sinais e sintomas:

Nódulo (caroço), fixo e geralmente indolor: é a principal manifestação da doença, estando presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher

Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja

Alterações no bico do peito (mamilo)

Pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço

Saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos

Esses sinais e sintomas devem sempre ser investigados por um médico para que seja avaliado o risco de se tratar de câncer.

É importante que as mulheres observem suas mamas sempre que se sentirem confortáveis para tal (seja no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano), sem técnica específica, valorizando a descoberta casual de pequenas alterações mamárias.

Em caso de permanecerem as alterações, elas devem procurar logo os serviços de saúde para avaliação diagnóstica.

A postura atenta das mulheres em relação à saúde das mamas é fundamental para a detecção precoce do câncer da mama.

Fonte: Inca

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No mês de conscientização sobre o suicídio, é preciso atenção com a depressão pós-parto

Setembro Amarelo é o mês mundial que chama a atenção para a importância da prevenção ao suicídio, acontecimento que geralmente está ligado a doenças como a depressão. A depressão é caracterizada pela perda ou diminuição de interesse e prazer pela vida, gerando angústia e prostração. O tema já foi mais estigmatizado do que é hoje, no entanto, quando se trata da depressão pós-parto (DPP), o tabu e preconceito contra as mulheres ainda é evidente. Embora pouco falada, a depressão pós-parto está longe de ser incomum: mais de 25% das mães brasileiras têm sinais da doença, como apontou a pesquisa sobre fatores associados à depressão pós-parto no Brasil, feita com cerca de 24 mil mulheres de todo o país e conduzida por pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fiocruz (RJ).

De acordo com a obstetra, diretora da Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais, Dra. Thelma Figueiredo, como a maioria dos transtornos psiquiátricos ainda carrega o estigma de tabu, o preconceito é grande e isso bloqueia a procura da mulher por ajuda. “Qualquer mulher pode desenvolver a doença, mas a prevalência é maior em quem tem antecedentes de transtorno mental (incluindo depressão), vulnerabilidade socioeconômica, gravidez indesejada ou histórico de traumas e violência doméstica”, afirma. E quem já teve DPP em uma gestação está mais suscetível na próxima. Outros fatores de risco passam por falta de suporte ou apoio familiar, ansiedade intensa, histórico de transtorno pré-menstrual, infertilidade, abortos ou perdas gestacionais e até problemas de saúde, como hipertensão ou diabetes.

A obstetra explica que ficar um pouco triste depois do parto é normal e esperado. Estima-se que 80% das mulheres tenham o chamado baby blues, certa melancolia que aparece nos primeiros dias do bebê em casa, dura no máximo um mês, e tem mais a ver com a adaptação física e emocional à nova realidade, além das alterações hormonais bruscas que o corpo sofre nessa fase. “Mas a Depressão Pós-Parto vai além tanto na intensidade quanto na duração dos sintomas, geralmente notados de quatro a seis semanas após o parto e que podem se arrastar por um ano (ou mais, em alguns casos). Ansiedade, irritabilidade, mudanças de humor, cansaço e desânimo persistentes estão no topo da lista de indícios, que também passam por diminuição de apetite, insônia e sensação de incapacidade”, assegura.

Dra. Thelma alerta que é preciso atenção para diferenciar a DPP dos sintomas comuns do puerpério, como fadiga e alteração de sono. “A suspeita vem com comportamentos atípicos, como a preocupação excessiva com a saúde do bebê, falta de vontade de levantar da cama ou perda acentuada de peso em pouco tempo”.

Apoio da família é fundamental

 Apesar do nome “pós-parto”, já se sabe que os sintomas da DPP podem começar ainda na gestação, período de intensas modificações biológicas, psicológicas e sociais. “A gravidez é um momento de crise no desenvolvimento maturacional da mulher e, portanto, há maior risco de desenvolver depressão, especialmente para aquelas que já tiveram algum histórico”, destaca a obstetra.

Por isso, países com uma política de saúde mental perinatal, como Nova Zelândia, Estados Unidos e Suécia, já adotam o rastreio sintomático da depressão na gestação e no pós-parto, o que ajuda no diagnóstico precoce e minimiza os riscos de agravamento. No Brasil, isso ainda não acontece, por isso a família é parte fundamental no processo de reconhecimento da doença e deve oferecer apoio para que a mulher compartilhe o que está sentindo, além de ajudar na identificação das alterações de comportamento. “Muitas vezes são os maridos que contam aos médicos o que se passa com as mulheres, por isso é importante que eles não menosprezem os sintomas da parceira”, defende Dra. Thelma.

Uma vez reconhecido o problema, é hora de partir para o tratamento, geralmente feito com a combinação de psicoterapia e antidepressivos. “Hoje temos medicações seguras e as mulheres podem continuar amamentando sem danos ao bebê”, completa. A especialista ainda alerta sobre o risco de o problema voltar. “A DPP é um transtorno multifatorial, sendo assim, o tratamento psicológico e psiquiátrico pode levar à remissão de sintomas, mas não devemos falar em cura. Quem teve depressão deve estar sempre atenta aos momentos que podem ser gatilhos para que a doença se manifeste novamente”, afirma.

 

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SOGIMIG alerta: gestantes devem ter cuidado com o sarampo

Algumas regiões do Brasil voltaram a sofrer com surtos de sarampo. Em Belo Horizonte, desde o dia 21 deste mês, aproximadamente 20 unidades de saúde já foram fechadas por suspeitas de casos da doença. Além disso, em São Paulo, estado vizinho, houve o primeiro registro de morte por sarampo desde 1997. Especialistas afirmam que a volta da doença é decorrente de uma “importação” do vírus e de um relaxamento da população em relação a vacinação. A situação é preocupante, para uma parcela da população que não pode se vacinar: a gestante. Por isso, a Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), alerta para os cuidados que devem ser tomados pelas futuras mamães para evitar a doença.

De acordo com a diretora da instituição, Inessa Beraldo, a vacina é contraindicada durante a gestação, pois são produzidas com o vírus do sarampo vivo, apesar de atenuado. “A gestação tende a diminuir a imunidade da mulher, o que deixa o sistema imunológico mais vulnerável e, por isso, a vacina pode desenvolver a doença ou complicações”, afirma. O recomendado pelo Ministério da Saúde é que a mulher que faça planos de engravidar tome todas as doses da vacina antes, podendo esta ser a tríplice ou a tetra viral, e mantenha toda a rotina prevista no Calendário Nacional de Vacinação atualizada, para se proteger e proteger o bebê.

Quais são os sintomas de sarampo na gravidez?

O início do sarampo pode ser confundido com uma gripe ou outra doença viral, causando febre acima de 38°C, com uma tosse seca e persistente. Pode aparecer dor de garganta e dores musculares, acompanhadas de cansaço excessivo. Em seguida, surgem manchas vermelhas na pele que, geralmente, aparecem primeiro no rosto, se espalhando pelo corpo em direção aos pés.

As manchas do sarampo não causam coceira, como é comum em outras doenças, como a dengue ou a rubéola, e permanecem por no mínimo três dias. Algumas gestantes também podem apresentar lesões dolorosas na boca e conjuntivite ou vermelhidão nos olhos.

Quais são os riscos do sarampo na gravidez?

Devido à queda natural da imunidade durante a gestação, as grávidas são mais suscetíveis a terem complicações em um contágio de sarampo. Os principais riscos são:

  • acometimento do sistema nervoso central;
  • infecções secundárias, como pneumonia e obstrução das vias aéreas;
  • parto prematuro;
  • risco aumentado de aborto espontâneo.

Como prevenir uma contaminação por sarampo?

A principal forma de prevenção contra o sarampo é a vacinação. No entanto, outros cuidados de higiene e manuseio de objetos podem ajudar as grávidas a se prevenirem:

  • evitar o contato com pessoas que venham de outros países, especialmente aqueles que registraram casos recentes da doença — nem todos os países vacinam sua população em massa, como ocorre no Brasil;
  • lavar frequentemente as mãos usando álcool em gel 70% — o que também ajuda na prevenção de outras doenças, como a gripe;
  • não ter contato com pessoas doentes;
  • evitar coçar os olhos e levar a mão à boca e ao nariz.

Como tratar o sarampo na gravidez?

Como em qualquer outra ocorrência na saúde da gestante, o tratamento do sarampo deve ser acompanhado pelo médico obstetra, para que ele avalie a melhor forma de tratar os sintomas sem comprometer a saúde do bebê e o andamento da gestação. Geralmente, o mais indicado para tratar a febre e as dores é o paracetamol, que só deve ser tomado com indicação médica.

Em alguns casos, o médico pode indicar o uso de um soro com anticorpos contra o sarampo. Esse medicamento ajuda o corpo a combater a doença e não representa riscos para a grávida ou para o bebê. Mas é sempre importante frisar: só pode ser usado com prescrição médica.

É possível baixar a febre e reduzir os desconfortos dos sintomas sem o uso de remédios, com algumas medidas simples:

  • tomar banho morno ou frio;
  • evitar locais quentes e o excesso de roupas;
  • usar roupas de algodão, como um moletom — elas ajudam a pele a transpirar melhor e a regular a temperatura corporal;
  • não se cobrir com edredons e cobertas pesadas, apesar da sensação de frio que a febre pode trazer;
  • se manter bem hidratada;
  • fazer compressas de água fria na testa;
  • ficar em repouso — a febre acelera os batimentos cardíacos e pode aumentar a sensação de cansaço.

 

 

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“Sou uma criança cuidando de outras” – Atualmente, 66% das gestações entre adolescentes são indesejadas

Vulnerabilidade social, baixo nível de escolaridade e assistência precária dos serviços de saúde estão entre fatores que explicam alto índice de gravidez precoce; em 2015, dos 3 milhões de nascidos vivos no Brasil, 18% eram filhos de adolescentes

 Raquel tinha 16 anos quando ficou grávida. Até receber a confirmação, pouco sabia sobre sexualidade e gestação. Caso raro na família, foi expulsa de casa e, no mesmo dia, ajeitou-se num cômodo pequeno com outros dois tios. Sem ajuda financeira, precisou fazer faxinas para contribuir com o aluguel e sustentar a filha. Dois anos depois do primeiro parto, aos 18, ela deu à luz ao segundo filho. O nascimento foi complicado e o menino sofreu uma lesão permanente no braço. Filhos de pais diferentes, as crianças recebem amparo da avó e da igreja no bairro.

Prestes a completar 22 anos, Raquel – cujo nome foi preservado – se arrepende da gravidez precoce, sonha em concluir os estudos, conseguir um emprego e montar um quarto para os filhos. “Fico triste quando o leite acaba e preciso recorrer às pessoas para me ajudarem. É um caminho sem volta. Sou uma criança cuidando de outras”, comenta. “Não tive orientação sobre sexualidade na escola ou em casa. Talvez, agora, as coisas poderiam ser diferentes. Fui levada pelo impulso”, lembra emocionada.

Outras tantas brasileiras vivem situação semelhante. Só em 2015, dos 3 milhões de nascidos vivos no Brasil, 18% eram filhos de adolescentes. O Dia Mundial de Prevenção da Gravidez na Adolescência, lembrado em 26 de setembro, reforça a importância do uso de métodos contraceptivos para combater as infecções sexualmente transmissíveis e a gravidez precoce. A campanha reúne organizações não governamentais e sociedades internacionais em mais de 70 países.

Em maio deste ano, o Ministério da Saúde apresentou a Pesquisa Saúde Brasil e constatou queda de 17% no número de adolescentes grávidas, entre os anos de 2004 e 2015. A redução foi de 661.290 nascidos vivos de mães entre 10 e 19 anos para 546.529. A região com mais filhos de adolescentes é o Nordeste (32%), seguido do Sudeste (32%), Norte (14%), Sul (11%) e, por último, Centro Oeste (8%). A queda é explicada pela ampliação do acesso a métodos contraceptivos e pela expansão do Programa Saúde da Família no Brasil, entre outros fatores. Entretanto, apesar da redução dos números, o tema ainda requer cuidado, pois, a cada ano, no mundo, nascem 14 milhões de crianças cujas mães são adolescentes.

O problema ocorre, principalmente, em áreas mais pobres, com poucos recursos e acesso precário à saúde e à educação. “É um grupo composto por meninas que desconhecem o uso de contraceptivos e o funcionamento do próprio corpo, sem preocupação com a saúde sexual e reprodutiva. Os efeitos negativos vão desde o pré-natal tardio e sem o devido acompanhamento, com nascimento de bebês prematuros, até a depressão pós-parto, associada à amamentação em menor tempo”, explica a presidente do Comitê de Infância e Adolescência da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) Ana Cristina Corrêa Costa. “É comum muitas filhas de mães adolescentes serem mães adolescentes também. É um círculo vicioso”, afirma.

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) constatou que a iniciação sexual já havia acontecido, em 2015, para 27,5% dos alunos do 9º ano. Entre eles, 39% não usaram preservativo na primeira experiência sexual. O último levantamento aponta, ainda, que 55,5% dos entrevistados consumiram ao menos uma dose de bebida alcoólica na vida. “A iniciação sexual na adolescência está relacionada a muitos comportamentos de risco. O uso de preservativos é reduzido, principalmente, entre meninas menores de 14 anos, o número de parceiros sexuais é bem maior, com mais chances de se contrair infecções sexualmente transmissíveis”, enfatiza a médica.

A especialista acredita que os índices de gravidez precoce podem ser reduzidos à medida que a sociedade avance numa postura mais ativa e questionadora. “Um dos caminhos é levar a educação sexual para dentro das escolas. As meninas mais jovens vão ao ginecologista pela primeira vez levadas pela mãe e por motivos que preocupam a mãe, enquanto as adolescentes mais velhas procuram o médico em busca de orientação sexual. As meninas mais novas, por falta de aconselhamento, ficam suscetíveis a mais problemas.” Ela cita o exemplo da Finlândia, onde existem, nas escolas públicas – quase 100% das instaladas no país–, consultórios médicos para os alunos. “É um país de primeiro mundo, claro, mas nós precisamos pensar alto. A escola é o espaço mais facilitador que há”, avalia.

Em casa ou na escola é importante adaptar os assuntos conforme a faixa etária. Questões como o funcionamento do corpo, por que sente desejo sexual e o que é abuso precisam ser trabalhadas de maneira simples e objetiva. “Nós percebemos que, entre 10 e 13 anos, existe uma diferença de maturidade gigantesca. Algumas meninas já começam a falar em namorar, enquanto outras são mais comedidas. É muito importante respondermos às demandas e ficarmos atentos aos questionamentos. Esse papel cabe aos pais e à escola também. Nas respostas, não precisa ir muito além. Introduzir perguntas como ‘Você está namorando?’, ‘Você já beijou na boca?’ e, até mesmo, assistir a um filme e, a partir dele, tecer comentários pode ajudar”, orienta a especialista em criança e adolescente da Sogimig.

Para muitas meninas, a primeira consulta ao ginecologista é motivo de pânico. Por falta de informação ou por constrangimento, muitas adolescentes adiam ao máximo esse encontro. Não deve ser assim. “A recomendação é que os pais levem as filhas ao ginecologista antes mesmo da primeira menstruação, assim que aparecerem os primeiros caracteres sexuais secundários, como aumento das mamas e surgimento de pelos. Quanto mais cedo, mais orientações elas receberão e conhecerão sobre o funcionamento do próprio corpo. Elas criarão um vínculo com esse médico e terão a quem recorrer. Isso evitará comportamentos de risco e fará com que se sintam habituadas a ir ao ginecologista”, explica.

O acompanhamento médico desde o início da adolescência é também importante para a menina descobrir, de maneira individualizada, o melhor método contraceptivo para sua vida. No caso das adolescentes, os de longa duração, como o Sistema Intrauterino (SIU), são os mais indicados. “Não existe o risco de esquecimento e eles se adaptam melhor ao corpo. Todas as possibilidades devem ser discutidas em conjunto com a adolescente e com o responsável que tiver acompanhando-a. É preciso salientar a importância da dupla proteção, aliando o uso de um método anticoncepcional e  camisinha”, avalia. O governo distribui gratuitamente, através do Sistema Único de Saúde (SUS), pílula combinada, pílula anticoncepcional de emergência, diafragma, minipílula, anticoncepcional injetável mensal e trimestral, assim como preservativos feminino e masculino. Além disso, deu início à oferta de Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre em todas as maternidades brasileiras.

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Incontinência urinária compromete a qualidade de vida

Aplicação de toxina botulínica, uso de laser e cirurgia como neuromodulação, espécie de marcapasso colocado no nervo sacral, estão entre os recursos disponíveis para controlar perda involuntária de urina

A incontinência urinária atinge 10 milhões de brasileiros de todas as idades, sendo duas vezes mais comum no sexo feminino, conforme a Sociedade Brasileira de Urologia. Numa situação normal, é comum urinar, em média, oito vezes por dia e chegar ao banheiro a tempo quando tem vontade. O problema é caracterizado, exatamente, quando se perde urina involuntariamente, transtorno que impacta diretamente na qualidade de vida, comprometendo o bem-estar físico, emocional, psicológico e social.

Os especialistas dividem a incontinência de acordo com os sintomas ou pelas circunstâncias que ocorrem no momento da perda. O primeiro caso, chamado de incontinência de esforço, acontece devido à fragilidade dos músculos pélvicos que dão suporte à bexiga ou à lesão do esfíncter uretal – músculo que fecha a uretra impedindo a saída da urina. “Em caso de esforço, como tossir ou respirar, pode provocar vazamento”, explica a diretora da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) Thelma de Figueiredo e Silva. O segundo tipo mais frequente é a incontinência urinária de urgência, quando se perde urina sem nenhum sinal anterior. “Mais grave que a incontinência de esforço, o caso é denominado bexiga hiperativa faz com que a mulher sinta vontade urgente de ir ao banheiro e não consiga chegar a tempo de evitar a perda de urina, que pode acontecer em grande volume”, observa. O terceiro caso associa os dois tipos de incontinência.

As gestantes estão entre os grupos mais propensos para desenvolver incontinência urinária. A ginecologista lembra que o problema é mais comum nas mulheres devido às características do assoalho pélvico. Na pelve feminina, os aparelhos esfincterianosestruturas musculares que produzem a contração da uretra para evitar a perda urinária – são mais frágeis. “No caso das grávidas, o transtorno é comum devido ao crescimento do bebê que altera a posição de outros órgãos, pressionando a bexiga”. A médica conta que, na maioria dos casos, o quadro regride espontaneamente após o parto. A população idosa também está entre as mais afetadas pela incontinência urinária, devido ao processo natural de envelhecimento, caracterizado pelo desgaste físico e funcional do corpo e da mente e à diminuição das respostas fisiológicas.

A melhor forma de prevenir o problema é fortalecendo a musculatura do assoalho pélvico, com exercícios simples e que podem ser feitos em casa mesmo. Uma revisão de vários estudos na rede global Cochrane evidenciou que os exercícios de contração dessa musculatura ajudam a melhorar ou curar todos os tipos de incontinência urinária. “O pompoarismo, técnica difundida nos últimos anos, é uma dessas opções. Nada mais é que contrair e relaxar os músculos da vagina e do períneo”. Uma outra alternativa que ganha a atenção das brasileiras é o laser vaginal, capaz de tonificar a região pélvica, com melhores resultados a longo prazo. Outras duas opções são a aplicação de toxina botulínica e a neuromodulação, espécie de marcapasso colocado no nervo sacral que ajuda a controlar a perda de urina voluntária. Quando a perda acontece por causa da bexiga, o tratamento será medicamentoso ou cirúrgico.

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Recomendações às gestantes

A gestação é uma das fases mais importantes da vida da mulher. Nesse momento, é comum que surjam dúvidas, principalmente para as mães de primeira viagem. Pensando nisso, a Sogimig recomenda às grávidas cinco ações importantes. Confira-as abaixo.

1 – Lembre-se que sua gravidez é única e diferente das outras mulheres. Esclareça suas dúvidas com seu obstetra durante o pré-natal

2 – Converse com seu médico sobre as vias de parto (vaginal ou cesariana), visando o melhor para sua saúde e do seu filo. O parto vaginal é mais fisiológico, no entanto, pode ser possível por intercorrências da gravidez ou do parto. Nestes casos, a cesariana tem um papel de “salvar vidas”. Caso isto ocorra, não se sinta incapaz e tenha a certeza que, nestas circunstâncias, a cesariana foi a melhor solução para o seu caso.

3 – Elabore com seu obstetra o seu plano de parto, que considere em uma lista de itens relacionados ao parto, sobre os quais você pensou e refletiu. Inclui a escola do local onde vai ter o bebê, quem vai estar presente e quais serão os procedimentos médicos que você prefere evitar. Não se trata de uma lista de ordens, mas de um ponto de partida para a conversa e que eventuais mudanças poderão ser necessárias

4 – Certifique-se de que a maternidade onde pretende ter o bebê conta com equipe completa de plantão composta por obstetras, anestesiologistas e pediatras neonatologistas, conforme assegura a lei e o contrato do plano de saúde com cobertura obstétrica

5 – Informe-se sobre assistência ao parto e maternidades disponibilizadas pelo seu plano de saudê. Caso seja seu desejo, converse com seu médico do pré-natal sobre a disponibilidade em assisti-la durante o parto

 

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Benefícios do orgasmo

Com parceiro ou não, é possível alcançar o ápice sexual, que dura de 8 a 10 segundos. O orgasmo gera uma descarga elétrica de até 244 milivolts e garante benefícios para a saúde

Os benefícios físicos e psicólogos do orgasmo são amplamente estudados pela comunidade científica.  Já se sabe que o momento de maior prazer sexual é capaz de aliviar a tensão e as dores, melhorar o sono, diminuir o estresse, reduzir complicações cardíacas, fortalecer a imunidade e promover a longevidade. Conforme publicação do The Journal of Sex Research, no caso de casais heterossexuais, o clímax feminino estimula o parceiro a se sentir mais viril e realizado sexualmente.

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revelou que 55,6% das brasileiras têm dificuldade para chegar ao orgasmo. As principais causas são bloqueio para se excitar (67%) e dor durante a relação sexual (59,7%). “Apesar de ser considerado um tabu, o orgasmo é extremamente benéfico. No caso das mulheres, estudos atuais relacionam a prática a melhores resultados em tratamentos de ansiedade, depressão ou dependências. Durante o orgasmo, ocorre um aumento do fluxo de sangue e de oxigênio no cérebro, nutrientes muito benéficos”, explica a ginecologista e diretora da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) Thelma de Figueiredo e Silva.

As fases do ato sexual se dividem em desejo, excitação e orgasmo. No primeiro momento, não se observa alterações no corpo. É na fase posterior que o sistema nervoso libera uma substância chamada acetilcolina e provoca uma congestão sanguínea nos órgãos sexuais. “Se na excitação acontece o inchamento da vagina e do pênis, no orgasmo ocorre o oposto, pois a noradrenalina provoca a contração dos vasos sanguíneos. É uma descarga explosiva de tensões neuromusculares, manifestação máxima da experiência sexual”, afirma Thelma.

O orgasmo não se manifesta da mesma forma em mulheres e homens e, mesmo sem um parceiro, é possível alcançar o ápice sexual. A médica recomenda conhecer o próprio corpo para explorar todas as possibilidades. “Nos últimos anos, as inovações na medicina têm colaborado para melhor satisfação sexual. Hoje, já é possível diminuir ou aumentar os lábios vaginais e recorrer a uma variedade de procedimentos cirúrgicos no pênis”, detalha.

O mais importante é manter a saúde mental e física em ordem e conhecer a si mesmo. Segundo a ginecologista, muitos desconhecem as zonas erógenas e não sabem como estimulá-las e, por isso, nunca contemplaram o orgasmo. “Infelizmente, ainda existe uma censura sobre tocar o próprio corpo e se deixar ser tocado. Em alguns casos, traumas na infância, educação rígida e até mesmo problemas de autoestima impedem o orgasmo. A receita para uma vida sexual plena envolve diálogo e autoconhecimento”, esclarece.