Você está em: Página Inicial > Espaço Feminino

“Sou uma criança cuidando de outras” – Atualmente, 66% das gestações entre adolescentes são indesejadas

Vulnerabilidade social, baixo nível de escolaridade e assistência precária dos serviços de saúde estão entre fatores que explicam alto índice de gravidez precoce; em 2015, dos 3 milhões de nascidos vivos no Brasil, 18% eram filhos de adolescentes

 Raquel tinha 16 anos quando ficou grávida. Até receber a confirmação, pouco sabia sobre sexualidade e gestação. Caso raro na família, foi expulsa de casa e, no mesmo dia, ajeitou-se num cômodo pequeno com outros dois tios. Sem ajuda financeira, precisou fazer faxinas para contribuir com o aluguel e sustentar a filha. Dois anos depois do primeiro parto, aos 18, ela deu à luz ao segundo filho. O nascimento foi complicado e o menino sofreu uma lesão permanente no braço. Filhos de pais diferentes, as crianças recebem amparo da avó e da igreja no bairro.

Prestes a completar 22 anos, Raquel – cujo nome foi preservado – se arrepende da gravidez precoce, sonha em concluir os estudos, conseguir um emprego e montar um quarto para os filhos. “Fico triste quando o leite acaba e preciso recorrer às pessoas para me ajudarem. É um caminho sem volta. Sou uma criança cuidando de outras”, comenta. “Não tive orientação sobre sexualidade na escola ou em casa. Talvez, agora, as coisas poderiam ser diferentes. Fui levada pelo impulso”, lembra emocionada.

Outras tantas brasileiras vivem situação semelhante. Só em 2015, dos 3 milhões de nascidos vivos no Brasil, 18% eram filhos de adolescentes. O Dia Mundial de Prevenção da Gravidez na Adolescência, lembrado em 26 de setembro, reforça a importância do uso de métodos contraceptivos para combater as infecções sexualmente transmissíveis e a gravidez precoce. A campanha reúne organizações não governamentais e sociedades internacionais em mais de 70 países.

Em maio deste ano, o Ministério da Saúde apresentou a Pesquisa Saúde Brasil e constatou queda de 17% no número de adolescentes grávidas, entre os anos de 2004 e 2015. A redução foi de 661.290 nascidos vivos de mães entre 10 e 19 anos para 546.529. A região com mais filhos de adolescentes é o Nordeste (32%), seguido do Sudeste (32%), Norte (14%), Sul (11%) e, por último, Centro Oeste (8%). A queda é explicada pela ampliação do acesso a métodos contraceptivos e pela expansão do Programa Saúde da Família no Brasil, entre outros fatores. Entretanto, apesar da redução dos números, o tema ainda requer cuidado, pois, a cada ano, no mundo, nascem 14 milhões de crianças cujas mães são adolescentes.

O problema ocorre, principalmente, em áreas mais pobres, com poucos recursos e acesso precário à saúde e à educação. “É um grupo composto por meninas que desconhecem o uso de contraceptivos e o funcionamento do próprio corpo, sem preocupação com a saúde sexual e reprodutiva. Os efeitos negativos vão desde o pré-natal tardio e sem o devido acompanhamento, com nascimento de bebês prematuros, até a depressão pós-parto, associada à amamentação em menor tempo”, explica a presidente do Comitê de Infância e Adolescência da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) Ana Cristina Corrêa Costa. “É comum muitas filhas de mães adolescentes serem mães adolescentes também. É um círculo vicioso”, afirma.

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) constatou que a iniciação sexual já havia acontecido, em 2015, para 27,5% dos alunos do 9º ano. Entre eles, 39% não usaram preservativo na primeira experiência sexual. O último levantamento aponta, ainda, que 55,5% dos entrevistados consumiram ao menos uma dose de bebida alcoólica na vida. “A iniciação sexual na adolescência está relacionada a muitos comportamentos de risco. O uso de preservativos é reduzido, principalmente, entre meninas menores de 14 anos, o número de parceiros sexuais é bem maior, com mais chances de se contrair infecções sexualmente transmissíveis”, enfatiza a médica.

A especialista acredita que os índices de gravidez precoce podem ser reduzidos à medida que a sociedade avance numa postura mais ativa e questionadora. “Um dos caminhos é levar a educação sexual para dentro das escolas. As meninas mais jovens vão ao ginecologista pela primeira vez levadas pela mãe e por motivos que preocupam a mãe, enquanto as adolescentes mais velhas procuram o médico em busca de orientação sexual. As meninas mais novas, por falta de aconselhamento, ficam suscetíveis a mais problemas.” Ela cita o exemplo da Finlândia, onde existem, nas escolas públicas – quase 100% das instaladas no país–, consultórios médicos para os alunos. “É um país de primeiro mundo, claro, mas nós precisamos pensar alto. A escola é o espaço mais facilitador que há”, avalia.

Em casa ou na escola é importante adaptar os assuntos conforme a faixa etária. Questões como o funcionamento do corpo, por que sente desejo sexual e o que é abuso precisam ser trabalhadas de maneira simples e objetiva. “Nós percebemos que, entre 10 e 13 anos, existe uma diferença de maturidade gigantesca. Algumas meninas já começam a falar em namorar, enquanto outras são mais comedidas. É muito importante respondermos às demandas e ficarmos atentos aos questionamentos. Esse papel cabe aos pais e à escola também. Nas respostas, não precisa ir muito além. Introduzir perguntas como ‘Você está namorando?’, ‘Você já beijou na boca?’ e, até mesmo, assistir a um filme e, a partir dele, tecer comentários pode ajudar”, orienta a especialista em criança e adolescente da Sogimig.

Para muitas meninas, a primeira consulta ao ginecologista é motivo de pânico. Por falta de informação ou por constrangimento, muitas adolescentes adiam ao máximo esse encontro. Não deve ser assim. “A recomendação é que os pais levem as filhas ao ginecologista antes mesmo da primeira menstruação, assim que aparecerem os primeiros caracteres sexuais secundários, como aumento das mamas e surgimento de pelos. Quanto mais cedo, mais orientações elas receberão e conhecerão sobre o funcionamento do próprio corpo. Elas criarão um vínculo com esse médico e terão a quem recorrer. Isso evitará comportamentos de risco e fará com que se sintam habituadas a ir ao ginecologista”, explica.

O acompanhamento médico desde o início da adolescência é também importante para a menina descobrir, de maneira individualizada, o melhor método contraceptivo para sua vida. No caso das adolescentes, os de longa duração, como o Sistema Intrauterino (SIU), são os mais indicados. “Não existe o risco de esquecimento e eles se adaptam melhor ao corpo. Todas as possibilidades devem ser discutidas em conjunto com a adolescente e com o responsável que tiver acompanhando-a. É preciso salientar a importância da dupla proteção, aliando o uso de um método anticoncepcional e  camisinha”, avalia. O governo distribui gratuitamente, através do Sistema Único de Saúde (SUS), pílula combinada, pílula anticoncepcional de emergência, diafragma, minipílula, anticoncepcional injetável mensal e trimestral, assim como preservativos feminino e masculino. Além disso, deu início à oferta de Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre em todas as maternidades brasileiras.

Você está em: Página Inicial > Espaço Feminino

Incontinência urinária compromete a qualidade de vida

Aplicação de toxina botulínica, uso de laser e cirurgia como neuromodulação, espécie de marcapasso colocado no nervo sacral, estão entre os recursos disponíveis para controlar perda involuntária de urina

A incontinência urinária atinge 10 milhões de brasileiros de todas as idades, sendo duas vezes mais comum no sexo feminino, conforme a Sociedade Brasileira de Urologia. Numa situação normal, é comum urinar, em média, oito vezes por dia e chegar ao banheiro a tempo quando tem vontade. O problema é caracterizado, exatamente, quando se perde urina involuntariamente, transtorno que impacta diretamente na qualidade de vida, comprometendo o bem-estar físico, emocional, psicológico e social.

Os especialistas dividem a incontinência de acordo com os sintomas ou pelas circunstâncias que ocorrem no momento da perda. O primeiro caso, chamado de incontinência de esforço, acontece devido à fragilidade dos músculos pélvicos que dão suporte à bexiga ou à lesão do esfíncter uretal – músculo que fecha a uretra impedindo a saída da urina. “Em caso de esforço, como tossir ou respirar, pode provocar vazamento”, explica a diretora da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) Thelma de Figueiredo e Silva. O segundo tipo mais frequente é a incontinência urinária de urgência, quando se perde urina sem nenhum sinal anterior. “Mais grave que a incontinência de esforço, o caso é denominado bexiga hiperativa faz com que a mulher sinta vontade urgente de ir ao banheiro e não consiga chegar a tempo de evitar a perda de urina, que pode acontecer em grande volume”, observa. O terceiro caso associa os dois tipos de incontinência.

As gestantes estão entre os grupos mais propensos para desenvolver incontinência urinária. A ginecologista lembra que o problema é mais comum nas mulheres devido às características do assoalho pélvico. Na pelve feminina, os aparelhos esfincterianosestruturas musculares que produzem a contração da uretra para evitar a perda urinária – são mais frágeis. “No caso das grávidas, o transtorno é comum devido ao crescimento do bebê que altera a posição de outros órgãos, pressionando a bexiga”. A médica conta que, na maioria dos casos, o quadro regride espontaneamente após o parto. A população idosa também está entre as mais afetadas pela incontinência urinária, devido ao processo natural de envelhecimento, caracterizado pelo desgaste físico e funcional do corpo e da mente e à diminuição das respostas fisiológicas.

A melhor forma de prevenir o problema é fortalecendo a musculatura do assoalho pélvico, com exercícios simples e que podem ser feitos em casa mesmo. Uma revisão de vários estudos na rede global Cochrane evidenciou que os exercícios de contração dessa musculatura ajudam a melhorar ou curar todos os tipos de incontinência urinária. “O pompoarismo, técnica difundida nos últimos anos, é uma dessas opções. Nada mais é que contrair e relaxar os músculos da vagina e do períneo”. Uma outra alternativa que ganha a atenção das brasileiras é o laser vaginal, capaz de tonificar a região pélvica, com melhores resultados a longo prazo. Outras duas opções são a aplicação de toxina botulínica e a neuromodulação, espécie de marcapasso colocado no nervo sacral que ajuda a controlar a perda de urina voluntária. Quando a perda acontece por causa da bexiga, o tratamento será medicamentoso ou cirúrgico.

Você está em: Página Inicial > Espaço Feminino

Síndrome do ovário policístico atinge uma a cada cinco mulheres em idade fértil

Acúmulo de cistos no ovário, como se fossem “bolsinhas”, desestabiliza o ciclo menstrual, dificulta gravidez, pode levar a diabetes tipo 2 e um maior risco de câncer de endométrio

A síndrome do ovário policístico, conhecida pela sigla (SOP), é um distúrbio hormonal que provoca formação de cistos nos ovários, podendo atrapalhar o pleno funcionamento do sistema reprodutor e dificultar a gravidez. Um dos sintomas mais conhecidos da SOP é a irregularidade menstrual, principalmente entre adolescentes. Os fatores que desenvolvem o trastorno não são totalmente conhecidos, mas a causa genética explica porque irmãs e filhas de mulheres, portadoras da síndrome, têm 50% de chance de desenvolver o problema.

É bastante aceita a teoria que associa a patologia à produção de insulina em excesso pelo organismo. É por isso que pacientes com síndrome do ovário policístico têm maior risco para diabetes. “Os estudos atuais sugerem que mais da metade das mulheres com SOP terão diabetes ou pré-diabetes, antes dos 40 anos de idade”, alerta a diretora da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) Thelma de Figueiredo e Silva. Em condições normais, as células respondem à ação da insulina, absorvendo glicose para gerar energia ou para armazenamento. Em situação adversa, a resistência insulínica determina o erro no desenvolvimento dos folículos no ovário e a produção de testosterona em excesso. “As mulheres com cistos têm tendência a acne, crescimento excessivo de pelos, manchas na pele e queda de cabelo, entre outras características”, conta.

A descoberta precoce reduz o risco de complicações e, apesar de ser comum, a síndrome se manifesta de diferentes formas e requer tratamento individualizado. A ginecologista salienta que um dos impactos da SOP é a prevalência de altos níveis de LDL (colesterol ruim) e baixos níveis de HDL (colesterol bom), representando maior risco de infarto e hipertensão arterial. “Além do controle com pílulas, por exemplo, com implantes que protegem os ovários contra a formação de microcistos e diminuem os níveis de testosterona e de insulina, é importantíssimo a prática de exercícios físicos e manter uma alimentação balanceada”, afirma. Ela explica que, no caso de pacientes que desejam engravidar, é necessário, no primeiro momento, o uso de anticoncepcionais hormonais para regularizar a menstruação e diminuir os cistos e o volume ovariano. Depois, o contraceptivo deve ser substituído por hormônios que estimulem a ovulação.

O diagnóstico envolve a análise de sintomas – irregularidade menstrual, aumento de pelos em regiões como queixo, mamas e abdome, oleosidade e acnes –, exames laboratoriais e ultrassom. A especialista alerta que muitas pessoas confundem a SOP com cisto no ovário. Não é a mesma coisa. “São dois problemas diferentes. Na síndrome de ovário policístico, ocorre uma disfunção hormonal, com maior produção de testosterona. No cisto, acontece uma formação preenchida por líquido que aparece no ovário por causa da ovulação ou alguma desordem ginecológica”, comenta.

Você está em: Página Inicial > Espaço Feminino

Recomendações às gestantes

A gestação é uma das fases mais importantes da vida da mulher. Nesse momento, é comum que surjam dúvidas, principalmente para as mães de primeira viagem. Pensando nisso, a Sogimig recomenda às grávidas cinco ações importantes. Confira-as abaixo.

1 – Lembre-se que sua gravidez é única e diferente das outras mulheres. Esclareça suas dúvidas com seu obstetra durante o pré-natal

2 – Converse com seu médico sobre as vias de parto (vaginal ou cesariana), visando o melhor para sua saúde e do seu filo. O parto vaginal é mais fisiológico, no entanto, pode ser possível por intercorrências da gravidez ou do parto. Nestes casos, a cesariana tem um papel de “salvar vidas”. Caso isto ocorra, não se sinta incapaz e tenha a certeza que, nestas circunstâncias, a cesariana foi a melhor solução para o seu caso.

3 – Elabore com seu obstetra o seu plano de parto, que considere em uma lista de itens relacionados ao parto, sobre os quais você pensou e refletiu. Inclui a escola do local onde vai ter o bebê, quem vai estar presente e quais serão os procedimentos médicos que você prefere evitar. Não se trata de uma lista de ordens, mas de um ponto de partida para a conversa e que eventuais mudanças poderão ser necessárias

4 – Certifique-se de que a maternidade onde pretende ter o bebê conta com equipe completa de plantão composta por obstetras, anestesiologistas e pediatras neonatologistas, conforme assegura a lei e o contrato do plano de saúde com cobertura obstétrica

5 – Informe-se sobre assistência ao parto e maternidades disponibilizadas pelo seu plano de saudê. Caso seja seu desejo, converse com seu médico do pré-natal sobre a disponibilidade em assisti-la durante o parto

 

Você está em: Página Inicial > Espaço Feminino

Benefícios do orgasmo

Com parceiro ou não, é possível alcançar o ápice sexual, que dura de 8 a 10 segundos. O orgasmo gera uma descarga elétrica de até 244 milivolts e garante benefícios para a saúde

Os benefícios físicos e psicólogos do orgasmo são amplamente estudados pela comunidade científica.  Já se sabe que o momento de maior prazer sexual é capaz de aliviar a tensão e as dores, melhorar o sono, diminuir o estresse, reduzir complicações cardíacas, fortalecer a imunidade e promover a longevidade. Conforme publicação do The Journal of Sex Research, no caso de casais heterossexuais, o clímax feminino estimula o parceiro a se sentir mais viril e realizado sexualmente.

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revelou que 55,6% das brasileiras têm dificuldade para chegar ao orgasmo. As principais causas são bloqueio para se excitar (67%) e dor durante a relação sexual (59,7%). “Apesar de ser considerado um tabu, o orgasmo é extremamente benéfico. No caso das mulheres, estudos atuais relacionam a prática a melhores resultados em tratamentos de ansiedade, depressão ou dependências. Durante o orgasmo, ocorre um aumento do fluxo de sangue e de oxigênio no cérebro, nutrientes muito benéficos”, explica a ginecologista e diretora da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) Thelma de Figueiredo e Silva.

As fases do ato sexual se dividem em desejo, excitação e orgasmo. No primeiro momento, não se observa alterações no corpo. É na fase posterior que o sistema nervoso libera uma substância chamada acetilcolina e provoca uma congestão sanguínea nos órgãos sexuais. “Se na excitação acontece o inchamento da vagina e do pênis, no orgasmo ocorre o oposto, pois a noradrenalina provoca a contração dos vasos sanguíneos. É uma descarga explosiva de tensões neuromusculares, manifestação máxima da experiência sexual”, afirma Thelma.

O orgasmo não se manifesta da mesma forma em mulheres e homens e, mesmo sem um parceiro, é possível alcançar o ápice sexual. A médica recomenda conhecer o próprio corpo para explorar todas as possibilidades. “Nos últimos anos, as inovações na medicina têm colaborado para melhor satisfação sexual. Hoje, já é possível diminuir ou aumentar os lábios vaginais e recorrer a uma variedade de procedimentos cirúrgicos no pênis”, detalha.

O mais importante é manter a saúde mental e física em ordem e conhecer a si mesmo. Segundo a ginecologista, muitos desconhecem as zonas erógenas e não sabem como estimulá-las e, por isso, nunca contemplaram o orgasmo. “Infelizmente, ainda existe uma censura sobre tocar o próprio corpo e se deixar ser tocado. Em alguns casos, traumas na infância, educação rígida e até mesmo problemas de autoestima impedem o orgasmo. A receita para uma vida sexual plena envolve diálogo e autoconhecimento”, esclarece.

Você está em: Página Inicial > Espaço Feminino

Reprodução assistida é esperança para pacientes diagnosticadas com cânceres ginecológicos

 

Os cânceres ginecológicos podem comprometer a fertilidade. A mulher pode optar pelo congelamento de óvulos e de embriões para garantir o sonho de ser mãe, quando diagnosticada e submetida a tratamentos de quimioterapia e radioterapia. “A opção pelo congelamento de óvulos tem maior preferência, do ponto de vista ético, apresentando um  impacto menor em relação ao de embriões”, explica a diretora da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) Inês Katerina.

 

O congelamento de óvulos é um processo simples, rápido, demorando de 10 a 15 dias. “A paciente precisa procurar o especialista em reprodução antes de agendar a quimioterapia, para que tenha tempo suficiente para o tratamento, sendo possível iniciar em qualquer dia ciclo”, observa a especialista.

 

O ovário é estimulado num primeiro momento para a retirada dos óvulos e, no laboratório, são congelados. Muitas mulheres podem entrar em falência ovariana, popularmente conhecida como menopausa, conforme a quimioterapia. “O congelamento é um procedimento indicado para qualquer mulher, com qualquer tipo de câncer, que deseje engravidar posteriormente. Obviamente, requer avaliação oncológica para verificar se terá tempo hábil e se o uso das medicações não interferirá no processo da doença”, alerta.

 

A especialista explica que muitas pacientes, submetidas ao processo de fertilização, precisam esperar de 30 a 40 dias para fazer a quimioterapia, Não existe uma idade limite, mas quanto mais jovem, maior a chance do tratamento para engravidar. “É preciso reforçar que não existe garantia de um bebê. Entretanto, trata-se de uma excelente opção para quem está sob tratamento oncológico”, reforça.

 

Você está em: Página Inicial > Espaço Feminino

Mês de conscientização sobre câncer ginecológico

Estratégias de difusão de informação e mobilização social relativas à prevenção e à detecção precoce dos cânceres ginecológicos serão intensificadas no Brasil

O mês de julho é voltado à conscientização sobre o câncer ginecológico. Popularizado com o laço verde escuro, o período é utilizado para despertar a importância da realização de exames preventivos e do diagnóstico precoce. Os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimam 16.340 (7,9%) novos casos de câncer de colo do útero, 6.950 (3,4%) de corpo de útero e 6.150 (3,0%) de ovário em 2016.

O câncer ginecológico pode se manifestar em cinco áreas: colo do útero, endométrio, ovário, vulva e vagina. O primeiro caso é o terceiro que mais atinge a população feminina e mata mais de 250 mil mulheres no mundo por ano, conforme um levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS). O diretor da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) Delzio Salgado Bicalho explica que os exames ginecológicos preventivos são fundamentais para a detecção antecipada. “É essencial a visita regular ao ginecologista e a realização de exames preventivos e orientações, como o uso de preservativos nas relações sexuais”, alerta.

O papilomavírus humano (HPV) é o grande propagador do câncer de colo do útero e está presente em mais de 90% dos casos. Normalmente, o vírus condiciona o desenvolvimento do tumor, a partir de uma lesão precursora, sendo que, nesse estágio, os sintomas são quase imperceptíveis. Entretanto, em níveis mais avançados, o câncer provoca sangramentos vaginais, corrimentos atípicos e dores abdominais, podendo se intensificar com anemias, problemas intestinais ou urinários e perda de peso. “A identificação da patologia, em fase não invasiva ou no estágio inicial, garante chance alta de cura, de 80 a 90%. À medida que o quadro avança, as possibilidades de cura vão diminuindo”, salienta o ginecologista. Outros fatores também colaboram para o desenvolvimento da doença, como imunidade, genética, comportamento sexual e tabagismo.

O Brasil ampliou sua capacidade de diagnóstico precoce de câncer de colo do útero. Na década de 90, 70% dos casos eram detectados em estágio avançado. Hoje, 44% das ocorrências são de lesão precursora do câncer. “O progresso é resultado das campanhas de conscientização, intensificadas durante o mês de julho, das inovações tecnológicas na medicina, do aperfeiçoamento do rastreamento com ampliação da cobertura de exames preventivos e da inclusão da vacina contra o HPV no calendário vacinal”, avalia o especialista.

O segundo tipo de câncer ginecológico é o de endométrio, caracterizado pelo sangramento uterino anormal, principal sintoma que leva as mulheres a procurarem um médico. “Nesse caso, pode acontecer sangramento vaginal após a menopausa, dor pélvica e durante a relação sexual, bem como secreção aquosa ou com sangue muito claro”, esclarece Bicalho. Ele lembra que existem dois tipos desse câncer: os causados pelo desequilíbrio do hormônio estrogênio e os que não têm ligação com esse hormônio. Certos fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento do câncer de endométrio. “Obesidade, diabetes, histórico familiar, idade avançada, história de infertilidade ou o fato de nunca ter engravidado e a própria exposição por longo prazo ao estrogênio para tratamento da menopausa podem contribuir para o surgimento deste câncer” alerta.

O combate aos fatores de risco garantem melhor qualidade de vida e menores chances de desenvolvimento da doença. As últimas pesquisas comprovam que mulheres que se exercitam diariamente diminuem o risco pela metade, se comparadas ao grupo que é sedentário. Os exames de diagnóstico incluem o ultrassom, a biopsia do endométrio e a histeroscopia.

Já o câncer de ovário é o mais difícil de ser diagnosticado, pois é assintomático na fase inicial e a maioria dos tumores malignos só se manifesta em estágio avançado, correspondendo a 75% dos casos. “As mulheres acima de 50 anos são mais suscetíveis. Trata-se de um tumor mais agressivo, insidioso, de crescimento lento, sem sintomas, o que leva a um diagnóstico tardio, com tratamento difícil, grandes cirurgias e quimioterapia”, conta Delzio. Quando descoberto precocemente, as chances de cura são boas. “Os sintomas envolvem o aumento do volume abdominal, alterações no ciclo menstrual, dor nas relações sexuais e aumento na vontade de urinar. Por serem parecidos com os desconfortos comuns, esses indícios, muitas vezes, são negligenciados. Mesmo corriqueiras, essas alterações devem ser investigadas”, observa o ginecologista.

As ocorrências de cânceres de vulva e vagina são raras, conforme o médico. “O câncer de vulva, especificamente, é mais incidente após a menopausa e inicia como uma coceira, mancha ou ferida que não cicatriza e vai aumentando. No caso de câncer de vagina, assim como em outros tumores, acontecem sangramentos e corrimentos anormais”, destaca.

Os tratamentos para os cânceres ginecológicos dependem do estágio da doença, e, quanto mais cedo o diagnóstico, maior chance de cura ou controle da doença. “A principal recomendação continua sendo as consultas regulares, pois o ginecologista é o médico da mulher. Ele deve oferecer os exames preventivos e orientá-las sobre comportamentos de risco. Deve-se lembrar que mudanças de postura requerem disseminação de informações e conscientização social”, observa Bicalho.

Você está em: Página Inicial > Espaço Feminino

Descolamento de placenta: entenda a gravidade do problema

A placenta é a estrutura do feto que funciona como filtro e, ao mesmo tempo, como um captador de nutrientes da circulação materna. Os nutrientes são transmitidos, passando pelo cordão até chegarem ao embrião e, numa fase posterior, ao feto.

O ginecologista e obstetra Clóvis Antônio Bacha, membro do Comitê de gravidez de alto risco e mortalidade materna da Sogimig, explica que, na ocorrência de descolamento da placenta do leito placentário, o oxigênio e os nutrientes maternos podem deixar de passar para o concepto, interrompendo o crescimento ou diminuindo sua progressão, no caso de descolamento parcial.

Ele reforça que o mais temido e mais conhecido tipo é o descolamento total da placenta, que ocorre, geralmente, no fim da gestação, e que tem várias possíveis causas. “A mais estudada é a trombofilia, doença que altera o sistema de coagulação e pode causar, também, crescimento intrauterino restrito, pré-eclâmpsia, diminuição do líquido amniótico e morte fetal intraútero”, conta. Toda paciente que teve um descolamento da placenta deverá ser investigada de trombofilia, principalmente, se na história familiar existir relatos semelhantes de trombose ou mortes precoces, como infarto, derrames e AVCs isquêmicos.

O médico afirma que o descolamento prematuro de placenta entra no diagnóstico diferencial dos sangramentos da última metade da gestação e deve ser considerada se a placenta prévia, que tem um sangramento volumoso, vermelho vivo, sem aumento das contrações uterinas e dolorimento abdominal. O profissional precisa perceber, também, se o quadro não acompanha alteração da frequência cardíaca do feto. Outro diagnóstico, agora diferente, diz respeito à rotura do seio marginal, um pequeno descolamento da borda da placenta, ocasionando sangramentos menores. Geralmente, ocorre durante o trabalho de parto e não altera os batimentos cardíacos do feto.

Às vezes, o descolamento prematuro de placenta pode ter seu sangramento retido entre a placenta e a parede uterina e não se exteriorizar. Nesse caso, a infiltração do sangue na musculatura do útero será mais intensa, provocando maior gravidade em relação à vitalidade do embrião, uma vez que o diagnóstico tardio poderá causar dúvidas e retardar a realização do parto.

Bacha reitera a importância do acompanhamento médico para quem já vivenciou experiências similares. “A paciente com histórico de descolamento prematuro de placenta deve ter a evolução do bebê acompanhada por um especialista em gravidez de alto risco para minimizar a possibilidade de acontecer novamente”, salienta.

Você está em: Página Inicial > Espaço Feminino

Primeiro e único robô de Minas Gerais já realiza cirurgia em mulheres diagnosticadas com doenças ginecológicas

Procedimento garante maior precisão e segurança  para tratar câncer, especialmente no caso de tumores de endométrio e de colo do útero, miomas uterinos e endometriose grave

A cirurgia robótica ginecológica minimamente invasiva já faz parte do tratamento para as mineiras diagnosticadas com cânceres, miomas uterinos e endometriose grave. Desde o final do ano passado, a tecnologia está presente no Estado, com 33 cirurgias já realizadas.

A intervenção robótica propicia vantagens, como tempo reduzido de cirurgia e internação, menores cortes e sangramentos, restrição das dores e rápida recuperação em possíveis complicações pós-cirúrgicas.

O processo garante uma visão tridimensional do campo operatório, filtro de tremor, instrumentos articulados para maior amplitude de movimentos e melhor ergonomia, permitindo melhor visualização das estruturas em grandes detalhes.

O diretor da Sogimig Delzio Salgado Bicalho explica que a cirurgia torna o procedimento mais seguro e a realização de suturas (pontos) cirúrgicas mais precisa, principalmente, em relação aos órgãos reprodutivos femininos. No caso da endometriose, doença que causa aderências internas em órgãos intestinais e ginecológicos, a precisão é fundamental para evitar lesões em órgãos aderidos entre si e menor comprometimento de outros tecidos.

Neste mês, o primeiro “Fórum Mineiro de Cirurgia Robótica em Ginecologia” foi promovido em Belo Horizonte. Especialistas de vários estados discutiram o processo envolvendo esse tipo de plataforma, destacando questões referentes à capacitação profissional, ao histórico da cirurgia robótica, aos benefícios e desafios. Diferentemente de outros métodos de cirurgia (aberta e laparoscópica), o robô permite que o cirurgião trabalhe em milímetros e não mais em centímetros.

Nos EUA, a cirurgia robótica já é uma realidade com quase três mil plataformas, enquanto no Brasil existem 28 robôs instalados. O primeiro e único em Minas Gerais é uma iniciativa da Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), mantenedora da Faculdade Ciências Médicas, criada para promover avanços da Medicina em Minas Gerais, nos campos da ciência e da tecnologia.

Você está em: Página Inicial > Espaço Feminino

Problemas na área da sexualidade são comuns nas fases da menopausa

Diversos casais enfrentam problemas de relacionamento sexual, principalmente, em decorrência da entrada da mulher no período da pós-menopausa, pois as mudanças biológicas são drásticas. As transformações comprometem a qualidade da relação sexual. Um das causas frequentes é a chamada Síndrome gênito-urinária (SGU), responsável por dor nas relações sexuais e problemas urinários. A situação ocorre com sintomas de deficiência estrogênica, associados a alterações fisiológicas da vulva, vagina e do trato urinário inferior.

A diretora de informática da Sogimig, Ana Lúcia Ribeiro Valadares, explica que o estrogênio se apresenta em menor quantidade, sendo um hormônio sexual feminino produzido pelos ovários e particularmente importante no organismo e, em especial, para manter o tecido genital saudável. A atrofia vulvovaginal, causada pela deficiência desse hormônio, leva ao afinamento do epitélio vaginal, à perda de elasticidade, ao aumento do PH vaginal, à redução da lubrificação e às alterações na sensação genital.

A queixa mais frequente das mulheres é o ressecamento vaginal, além de prurido, irritação, queimação e dor na relação sexual, sintomas urinários comuns, incluindo o aumento da frequência, urgência, noctúria, disúria, incontinência e infecção do trato urinário.

Um dos principais órgãos alterados pela síndrome é a uretra e suas estruturas adjacentes, ricas em receptores de estrogênio. Com a redução estrogênica, aparecem alterações anatômicas e funcionais, culminando com a incontinência urinária.

A ausência de tratamento dos sintomas contribui para uma baixa qualidade de vida, marcada pelo desconforto vaginal, dor, disfunção sexual, problemas urinários e perda da autoestima. Os problemas podem também afetar a vida afetiva. Afinal, os sintomas de atrofia vulvovaginal impactam na capacidade de alcançar o prazer sexual, no relacionamento com parceiros e na espontaneidade sexual.

As pesquisas mais recentes nos Estados Unidos e na Europa revelaram que as mulheres, frequentemente, não relatam os sintomas e, por consequência, não passam por tratamento. A condição é usualmente “subdiagnosticada e subtratada” em mulheres mais velhas, devido à falta de comunicação entre médicos e suas pacientes na pós-menopausa.

Os recursos médicos podem ajudar a enfrentar a síndrome, sendo que existem, por exemplo, os hidratantes e lubrificantes que garantem um alívio temporário. Já a terapia de reposição hormonal (TRH) proporciona alívio rápido e em longo prazo, enquanto os sintomas urinários, geralmente, requerem terapias adicionais mais eficazes. Recentemente, os estudos demonstraram que o tratamento com o laser induziu a uma melhora significativa da saúde vaginal em mulheres pós-menopáusicas.