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No mês de luta contra a aids, saiba mais sobre a doença na gravidez

É obrigatório por lei que toda gestante faça o teste de HIV logo nas primeiras consultas do pré-natal. Se negativo, o teste é repetido no terceiro trimestre de gestação. Tendo descoberto a presença do vírus no pré-natal ou antes dele, a gestante segue com os exames normais, como ultrassonografias periódicas. A menos que tenha uma condição que indique gravidez de risco associada, como descolamento de placenta. Nesse caso, terá de ser acompanhada também por um infectologista.

Se a mulher já sabe que tem HIV, deve procurar seu infectologista assim que descobrir a gravidez. Ela tem de continuar tomando os medicamentos nas mesmas dosagens e frequência. Entretanto, existem alguns remédios contraindicados na gravidez. Caso ela ainda não seja acompanhada por um infectologista, é hora de começar

Descobriu durante a gestação?

Outro ponto importante do quadro de ocorrências de HIV atualmente são as particularidades do contágio. Muitas vezes as mulheres pegam o vírus do companheiro e só descobrem no momento da gestação. Por lei, o companheiro tem de avisar o outro de que tem o vírus.

Realizados o acolhimento e a orientação da gestante, é preciso se certificar de que a gravidez correrá normalmente e de que o bebê não será contaminado. Para isso, é feita a negativação da carga viral da mulher. Quanto menor for essa carga, menor o risco de contaminação da criança. O Ministério da Saúde preconiza que seja de, no máximo, mil cópias do vírus por mililitro de sangue.

Existem atualmente vários tipos de medicação que fazem o papel do famoso coquetel, e cada um deles é mais apropriado para determinada pessoa. A carga viral é baixada com medicamentos antirretrovirais que não tenham contraindicação para grávidas.

Por convenção do Ministério da Saúde, a medicação é administrada a partir da 14ª semana de gestação e mantida durante toda a gravidez. Caso a mulher já tome medicação antirretroviral liberada para gestantes, ela mantém até o fim da gestação. Alguns médicos recomendam que o tratamento com antirretrovirais seja iniciado a partir da 24ª semana de gestação, já que o segundo e o terceiro trimestre correspondem ao período com maior risco de contaminação. É preciso avaliar caso a caso e consultar o obstetra e o infectologista responsável pelo atendimento. Ainda não há consenso entre os médicos sobre a continuidade da medicação antirretroviral após o parto.

Contaminação na gravidez 

Se a contagem viral for mantida baixa com a medicação sendo tomada corretamente, é possível ter um bebê saudável. O exame de carga viral é feito periodicamente para acompanhar a evolução da paciente com a medicação. Os antirretrovirais agem rápido para baixar a carga viral. Alguns deles conseguem diminui-la drasticamente em poucas semanas.

Nesses casos, a gravidez é considerada de risco e deve ser acompanhada por dois médicos – um obstetra e um infectologista. Na prática, a gestante deve contar com um suporte global, com enfermeiras obstetras, nutricionista e psicólogo.

Evitando a contaminação durante o parto

A última contagem de carga viral é feita próximo ao parto, entre a 34ª e a 36ª semana de gestação. Em geral, o tipo de parto mais indicado para a mulher com HIV é a cesárea eletiva, feita cerca de dez dias antes da data prevista para que a mulher não entre em trabalho de parto. As contrações aumentam o bombeamento de sangue entre a placenta e o bebê, o que pode estimular a maior circulação do vírus. A ideia é que o bebê entre em contato o menos possível com o sangue e as secreções da mãe.

Se a mulher desejar o parto normal, poderá fazê-lo, contanto que a carga viral seja indetectável. Deve-se também evitar que a bolsa fique rota por mais de quatro horas, para que o bebê não tenha contato direto com as secreções da mãe; o uso de fórceps, que pode causar escoriações na cabeça do bebê, criando uma entrada para o vírus; e a episiotomia, que põe a criança em contato direto com o sangue da mãe.

A mulher recebe o antirretroviral injetável durante o parto. No caso da cesárea eletiva, ele é administrado a partir de quatro horas antes do parto até o nascimento. O bebê toma um xaropinho de antirretroviral desde o nascimento até a sexta semana de vida.

Amamentar pode?

Existem estudos que demonstram risco adicional de 7% a 22% de transmissão vertical por essa via. A gestante recebe medicação para inibição da lactação e o Ministério da Saúde fornece fórmula láctea infantil ao recém-nascido. Em alguns países da África a amamentação não é proibida porque existe um perigo maior do que a criança ser contaminada pelo HIV: ela pode morrer em decorrência de inanição ou contaminação por água com coliformes fecais.

Fonte: bebe.abril.com.br