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Preservação da fertilidade em mulheres com câncer de mama

O câncer de mama é o câncer mais comum em mulheres e, em 2017, a American Cancer Society (ACS) estimou que haveria 252.710 casos de mama invasiva diagnosticados em s nos EUA e 40.610 mortes. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) esperava que entre 2014 e 2015 57120 novos casos de câncer de mama fossem diagnosticados. Os dados disponíveis mostram que uma em cada 8 mulheres desenvolverão câncer de mama durante a vida e que 6 a 10% delas estão abaixo dos 40 anos de idade. Infelizmente, muitas ainda não terão tido filhos no momento do diagnóstico enquanto outras ainda terão desejo de nova gestação.

Os avanços obtidos em oncologia nos últimos anos melhoraram significativamente o prognóstico de mulheres com câncer de mama, mas muitos dos tratamentos usados como a quimioterapia e a radioterapia podem afetar a fertilidade destas mulheres.  A boa noticia é que há opções seguras e eficazes disponíveis para manter a capacidade reprodutiva para aquelas que assim o desejarem. Entre as técnicas disponíveis, o congelamento de óvulos e embriões são as recomendadas segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM). Como para ambas é necessária estimulação dos ovários, sua realização deve preceder o início da quimio ou radioterapia.  Dessa forma, a avaliação de especialista em medicina reprodutiva e a disponibilização de informações adequadas sobre a preservação da fertilidade de modo a permitir decisão livre e esclarecida neste contexto são aspectos importantes na abordagem destas mulheres.

A percepção de que a realização de estímulo ovariano para preservação da fertilidade e a gravidez podem piorar o prognóstico do câncer permanece, apesar de não haver evidências científicas consistentes para apoiar essa noção. Estudos publicados mostram resultados tranquilizadores para gestações que ocorrem> 2 anos após o diagnóstico de câncer de mama. As melhores evidências publicadas sugerem que a gravidez após o câncer de mama não aumenta o risco de recorrência da doença, portanto, não deve ser proibida após o término do tratamento. Assim, a recomendação das principais sociedades de oncologia e medicina reprodutiva é que as mulheres sejam amplamente informadas e que oncologistas e especialistas em medicina reprodutiva trabalhem em conjunto para oferecer a melhor opção em termos de segurança e eficácia com manutenção da qualidade de vida destas mulheres.

Autora do texto: Márcia Mendonça Carneiro

Presidente do Comitê Científico de Endometriose da Sogimig