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Endometriose afeta seis milhões de brasileiras e ainda não tem tratamento definitivo

 

Doença é poligênica e casos na família são fatores de risco, sendo mais perceptível aos 30 anos de idade

 

Mais de seis milhões de brasileiras, entre 13 e 45 anos, têm endometriose, conforme a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva. A doença afeta de 10% a 15% das mulheres e é caracterizada pela presença externa do endométrio, tecido que reveste a parede interior do útero, em outros órgãos da pelve, como trompas, ovários, intestinos e bexiga. Mais da metade dos casos são desenvolvidos por fatores hereditários, sendo que vários genes podem estar alterados, por isso a doença é considerada poligênica. A presença de casos na família é um fator de risco para o desenvolvimento da doença. Entre 5% e 16% das mulheres férteis não desenvolvem os sintomas, mas podem apresentar lesões de endometriose mínima ou leve. Nos outros casos, as mulheres podem sofrer dores incapacitantes.

O ginecologista e diretor financeiro da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), Délzio Bicalho, explica que a endometriose não tem cura e, sim, tratamentos paliativos. A doença pode surgir desde a primeira até a última menstruação, ou seja, durante a fase reprodutiva, mas com um pico por volta dos 30 anos de idade. As cólicas menstruais, dor pré-menstrual e durante as relações sexuais, sangramento menstrual intenso ou irregular, alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação e até dificuldade para engravidar e infertilidade são sinais de alerta. Em cada dez mulheres com sintomas, seis têm dor e infertilidade, duas, apenas infertilidade e outras duas, apenas dor.

Ele alerta que, diante da suspeita do problema, a mulher deve procurar um ginecologista para o exame ginecológico clínico, primeiro passo no diagnóstico. “O médico pode solicitar exames laboratoriais e de imagem para visualização das lesões, como ultrassom transvaginal com preparo intestinal, ressonância magnética da pelve e um exame de sangue chamado CA-125, que se altera nos casos mais avançados da doença. O diagnóstico de certeza depende do estudo anatomopatológico das lesões”, informa.

O mercado tem medicamentos para o controle parcial e existem cirurgias para remover os tecidos doentes. “Como é uma doença crônica, não tem tratamento definitivo. Sempre pode voltar. A medicina está evoluindo e, hoje, é possível controlar os sintomas dolorosos e engravidar com ajuda dos laboratórios de reprodução humana”, afirma.

A endometriose demora mais de dez anos para se instalar como avançada ou profunda. O especialista deve ser acionado antes dos sintomas se complicarem, inclusive por mulheres que se sentem incapacitadas para atividades normais pela dor durante o período menstrual.

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