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Mês de conscientização sobre câncer ginecológico

Estratégias de difusão de informação e mobilização social relativas à prevenção e à detecção precoce dos cânceres ginecológicos serão intensificadas no Brasil

O mês de julho é voltado à conscientização sobre o câncer ginecológico. Popularizado com o laço verde escuro, o período é utilizado para despertar a importância da realização de exames preventivos e do diagnóstico precoce. Os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimam 16.340 (7,9%) novos casos de câncer de colo do útero, 6.950 (3,4%) de corpo de útero e 6.150 (3,0%) de ovário em 2016.

O câncer ginecológico pode se manifestar em cinco áreas: colo do útero, endométrio, ovário, vulva e vagina. O primeiro caso é o terceiro que mais atinge a população feminina e mata mais de 250 mil mulheres no mundo por ano, conforme um levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS). O diretor da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) Delzio Salgado Bicalho explica que os exames ginecológicos preventivos são fundamentais para a detecção antecipada. “É essencial a visita regular ao ginecologista e a realização de exames preventivos e orientações, como o uso de preservativos nas relações sexuais”, alerta.

O papilomavírus humano (HPV) é o grande propagador do câncer de colo do útero e está presente em mais de 90% dos casos. Normalmente, o vírus condiciona o desenvolvimento do tumor, a partir de uma lesão precursora, sendo que, nesse estágio, os sintomas são quase imperceptíveis. Entretanto, em níveis mais avançados, o câncer provoca sangramentos vaginais, corrimentos atípicos e dores abdominais, podendo se intensificar com anemias, problemas intestinais ou urinários e perda de peso. “A identificação da patologia, em fase não invasiva ou no estágio inicial, garante chance alta de cura, de 80 a 90%. À medida que o quadro avança, as possibilidades de cura vão diminuindo”, salienta o ginecologista. Outros fatores também colaboram para o desenvolvimento da doença, como imunidade, genética, comportamento sexual e tabagismo.

O Brasil ampliou sua capacidade de diagnóstico precoce de câncer de colo do útero. Na década de 90, 70% dos casos eram detectados em estágio avançado. Hoje, 44% das ocorrências são de lesão precursora do câncer. “O progresso é resultado das campanhas de conscientização, intensificadas durante o mês de julho, das inovações tecnológicas na medicina, do aperfeiçoamento do rastreamento com ampliação da cobertura de exames preventivos e da inclusão da vacina contra o HPV no calendário vacinal”, avalia o especialista.

O segundo tipo de câncer ginecológico é o de endométrio, caracterizado pelo sangramento uterino anormal, principal sintoma que leva as mulheres a procurarem um médico. “Nesse caso, pode acontecer sangramento vaginal após a menopausa, dor pélvica e durante a relação sexual, bem como secreção aquosa ou com sangue muito claro”, esclarece Bicalho. Ele lembra que existem dois tipos desse câncer: os causados pelo desequilíbrio do hormônio estrogênio e os que não têm ligação com esse hormônio. Certos fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento do câncer de endométrio. “Obesidade, diabetes, histórico familiar, idade avançada, história de infertilidade ou o fato de nunca ter engravidado e a própria exposição por longo prazo ao estrogênio para tratamento da menopausa podem contribuir para o surgimento deste câncer” alerta.

O combate aos fatores de risco garantem melhor qualidade de vida e menores chances de desenvolvimento da doença. As últimas pesquisas comprovam que mulheres que se exercitam diariamente diminuem o risco pela metade, se comparadas ao grupo que é sedentário. Os exames de diagnóstico incluem o ultrassom, a biopsia do endométrio e a histeroscopia.

Já o câncer de ovário é o mais difícil de ser diagnosticado, pois é assintomático na fase inicial e a maioria dos tumores malignos só se manifesta em estágio avançado, correspondendo a 75% dos casos. “As mulheres acima de 50 anos são mais suscetíveis. Trata-se de um tumor mais agressivo, insidioso, de crescimento lento, sem sintomas, o que leva a um diagnóstico tardio, com tratamento difícil, grandes cirurgias e quimioterapia”, conta Delzio. Quando descoberto precocemente, as chances de cura são boas. “Os sintomas envolvem o aumento do volume abdominal, alterações no ciclo menstrual, dor nas relações sexuais e aumento na vontade de urinar. Por serem parecidos com os desconfortos comuns, esses indícios, muitas vezes, são negligenciados. Mesmo corriqueiras, essas alterações devem ser investigadas”, observa o ginecologista.

As ocorrências de cânceres de vulva e vagina são raras, conforme o médico. “O câncer de vulva, especificamente, é mais incidente após a menopausa e inicia como uma coceira, mancha ou ferida que não cicatriza e vai aumentando. No caso de câncer de vagina, assim como em outros tumores, acontecem sangramentos e corrimentos anormais”, destaca.

Os tratamentos para os cânceres ginecológicos dependem do estágio da doença, e, quanto mais cedo o diagnóstico, maior chance de cura ou controle da doença. “A principal recomendação continua sendo as consultas regulares, pois o ginecologista é o médico da mulher. Ele deve oferecer os exames preventivos e orientá-las sobre comportamentos de risco. Deve-se lembrar que mudanças de postura requerem disseminação de informações e conscientização social”, observa Bicalho.

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