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Sogimig se posiciona sobre o uso do Fórceps no parto vaginal

Recentemente, um post do BLOG da SAÚDE sobre o fórceps no parto vaginal “viralizou” nas redes sociais. Segundo o mesmo, “ o fórceps não é uma prática usual no Sistema Único de Saúde (SUS). A ferramenta pode causar lesões neurológicas graves no bebê.” Frente ao equívoco da informação veiculada, a SOGIMIG esclarece que o fórceps é ferramenta de suma importância na prática obstétrica. Durante a assistência ao parto, há situações em que o parto vaginal deverá ser instrumentalizado, o que denominamos de parto operatório. O fórceps, assim como o vácuo extrator, são as ferramentas utilizadas neste tipo de assistência. Cabe ao médico obstetra avaliar se o fórceps deve ser utilizado, respeitando-se as indicações formais, assim como os critérios de elegibilidade.

A decisão sobre o uso do fórceps passa pela avaliação criteriosa do médico obstetra sobre o risco-benefício. Dentre as possíveis complicações maternas decorrentes do uso de fórceps, podemos destacar lacerações do trato genital inferior, hematomas, lesões vesicais e lesões de reto. Marcas transitórias na pele, fraturas de crânio, hemorragias intracranianas e retinianas, e paralisias de plexo braquial constituem possíveis consequências neonatais do procedimento. O parto cesariana apresenta maior risco de hemorragia materna, infecção, fenômenos tromboembólicos, morte materna, e até mesmo lesão acidental do feto e/ou orgãos maternos pélvico-abdominais, sobretudo em cesarianas de emergência.

Em situações em que o uso de fórceps durante o parto pode implicar em risco maternofetal maior do que os riscos da realização da operação cesariana, como por exemplo quando o feto ainda não está encaixado na pelve materna, o fórceps, chamado neste caso de fórceps alto, não deverá será utilizado, exatamente para proteção do binômio mãefeto. Entretanto, há situações em que o uso correto do fórceps pode inclusive proteger o feto de uma lesão neurológica hipóxico-isquêmica grave,como por exemplo na resolução de casos de sofrimento fetal agudo durante o período expulsivo. Dentre as situações em que uso de fórceps é preferível à realização de cesariana, podemos citar: período  expulsivo prolongado; sofrimento fetal agudo em que o parto deve ser imediato para proteção neurológica neonatal; condições maternas em que os puxos devem ser  minimizados ou até mesmo evitados, como em cardiopatias maternas, determinadas doenças neurológicas ou em gestantes com doença pulmonar cística.

O fórceps deve ser contra-indicado quando a cabeça fetal ainda não estiver encaixada na pelve materna ( fórceps alto), em vigência de desproporção céfalo-pélvica, em fetos com suspeita de desmineralização óssea ou discrasias sanguíneas ou quando não for possível determinar a variedade de posição e altura de apresentação do polo cefálico fetal.   O uso correto e seguro do fórceps constitui prática usual em Obstetrícia, nas Maternidades do SUS assim como em instituições privadas. A literatura mundial mostra que o fórceps, quando utilizado criteriosamente, não apenas evita os riscos de uma cesariana desnecessária, como também protege o neonato de complicações neurológicas graves, reduzindo morbimortalidade neonatal.

William Schneider da Cruz Krettli
Diretor de Defesa Profissional SOGIMIG / 07 de novembro de 2016

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