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ESPECIALISTA RESPONDE – Período da Menopausa

Ana L R Valadares, MD, PhD

O que é menopausa?

Trata-se da interrupção da menstruação por um ano ou mais (na ausência de outras causas óbvias) associada ao funcionamento reduzido dos ovários devido ao envelhecimento, resultando em menores níveis de estrogênio e de outros hormônios. Marca o fim permanente da fertilidade. Ocorre, frequentemente, entre os 45 e 55 anos e, em média, aos 51 anos de idade.

Apesar de ser uma realidade inerente a todas as mulheres ao redor do mundo, o impacto físico e mental deste inevitável evento fisiológico manifesta-se de formas diferente nas variadas culturas. Embora a menopausa traga mudanças no organismo como um todo, ela pode representar o início de uma vida excitante para as mulheres. Para muitas, pode significar maior liberdade, sendo possível reavaliar a saúde, em todos os aspectos, e planejar a outra quase metade da vida.

 

O que é perimenopausa?

A transição gradual entre os anos reprodutivos e os não reprodutivos (cessação dos períodos menstruais) é chamada perimenopausa (literalmente, significa “em torno da menopausa”). Geralmente, essa transição pode durar muitos anos e associar-se a alterações dos períodos menstruais, com intervalos diferentes do que sempre foram e/ou menstruação irregular. Suor noturno é um dos sintomas. Em algumas mulheres, estes são bastante incômodos e necessitam de intervenção médica.

A experiência advinda da perimenopausa e da menopausa difere entre as mulheres. Nesses anos, muitas passam pela perimenopausa sem notar alterações físicas, exceto em função de períodos menstruais irregulares, até que alcancem a menopausa. Outras, no entanto, percebem mudanças que podem incluir: ondas de calor, dificuldades para dormir, problemas de memória, distúrbios de humor, secura vaginal e ganho de peso. Nem todas essas alterações são hormônio-dependentes. Manter um estilo de vida saudável durante o tempo de transição é essencial para a saúde e pode até prevenir ou amenizar essas mudanças.

 

O que são as ondas de calor?

O desconforto mais comum relacionado ao período da perimenopausa e da menopausa é o fogacho (onda de calor). Embora sua causa exata ainda não seja totalmente compreendida, é possível que essas ondas de calor ocorram devido a alterações no hipotálamo – a parte do cérebro que regula a temperatura do corpo. Na vigência da diminuição do estrogênio, se essa região equivocadamente sente que a mulher está muito quente, ela começa uma cadeia de eventos para esfriá-la. Os vasos sanguíneos, perto da superfície da pele, começam a dilatar, aumentando o fluxo sanguíneo para a superfície, a fim de dissipar o calor do corpo. Isso produz uma aparência corada no rosto e no pescoço de mulheres de pele clara. Pode acontecer, a seguir, transpiração como mecanismo para refrescar o corpo. O coração pode bater mais rápido e as mulheres podem sentir taquicardia (batimento cardíaco rápido). Um arrepio frio muitas vezes segue uma onda de calor. Algumas mulheres experimentam apenas o frio.

 

Quais as causas dos distúrbios do sono?

Certas mulheres relatam distúrbios do sono (insônia) na época da perimenopausa e da pós-menopausa. A causa é multifatorial, podendo ser em decorrência de suores noturnos da menopausa (ondas de calor durante a noite), respiração desordenada do sono (conhecida como apneia do sono), síndrome das pernas inquietas, estresse e outros fatores como ansiedade, depressão, doenças crônicas dolorosas e até mesmo pelo uso de medicamentos. Todos os tratamentos devem, primeiro, se concentrar em melhorar a rotina de sono — usar um horário regular para dormir todas as noites, evitar ficar muito aquecida durante o sono e não utilizar estimulantes como cafeína e chocolate escuro. Quando as mudanças de estilo de vida falham, deve-se descartar distúrbios relacionados ao sono antes de iniciar tratamento medicamentoso.  Se o distúrbio do sono está relacionado unicamente às ondas de calor, a terapia hormonal pode solucionar o problema.

 

Como resolver problemas de memória?

Memória e outras habilidades cognitivas mudam ao longo da vida. Dificuldade de concentração e de memória são queixas comuns durante a perimenopausa e nos anos após a menopausa. Alguns dados apontam: mesmo que haja tendência para a memória ser pior durante a transição da menopausa, ela volta a ser como antes, após o período. Problemas deste gênero podem estar mais relacionados ao envelhecimento cognitivo normal e aos distúrbios do humor, por exemplo, e menos à menopausa ou à transição desta.

A manutenção de um extenso convívio social, permanecer mental e fisicamente ativa, consumir uma dieta saudável, não fumar e ingerir álcool com moderação podem ajudar a impedir a perda de memória. A aterosclerose (endurecimento das artérias) também pode contribuir para o declínio mental. Manter o colesterol, o peso e a pressão arterial normais ajudam na proteção do cérebro. No entanto, mulheres que estão preocupadas com o declínio e desempenho cognitivos devem procurar cuidados de saúde.

 

E a sexualidade, como fica?

O desejo sexual diminui com a idade, em ambos os sexos. Nas mulheres, essa baixa é comum entre os 40 e 50 anos. Tal condição é variável; algumas mulheres têm interesse aumentado, enquanto outras não notam nenhuma mudança. Às vezes, a falta de interesse sexual pode estar relacionada ao ressecamento vaginal e ao desconforto durante a relação sexual. Nesses casos, o estrógeno pode ajudar. Mesmo assim, é preciso ter em mente que o interesse sexual pode ser influenciado por fatores psicológicos, culturais, pessoais, interpessoais e biológicos. Uma avaliação clínica pode identificar quaisquer causas médicas ou psicológicas subjacentes ao baixo desejo. Desse modo, poderão ser tratadas de maneira apropriada.

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