Artigos

Saúde urogenital na pós-menopausa

 

No período da pós-menopausa, a mulher enfrenta drásticas mudanças biológicas. Muitas vezes essas transformações resultam em surpresas desagradáveis para uma vida sexual plena. Um dos problemas frequentes é a chamada Síndrome gênito-urinária (SGU), responsável por dor nas relações sexuais e sintomas urinários.

Essa síndrome se revela por sintomas decorrentes da deficiência estrogênica, associados a alterações fisiológicas da vulva, vagina e trato urinário inferior.

O estrogênio, que na síndrome se apresenta em menor quantidade, é um hormônio sexual feminino produzido pelos ovários. Esse hormônio é particularmente importante para todo o organismo, e em especial para manter o tecido genital saudável. Desta forma, a atrofia vulvo-vaginal causada pela deficiência de estrogênio na pós-menopausa leva ao afinamento do epitélio vaginal, à perda de elasticidade, ao aumento do PH vaginal, à redução da lubrificação e a alterações na sensação genital.

A queixa mais frequente das mulheres com a síndrome é o ressecamento vaginal, além de prurido, irritação, queimação e dispareunia (dor na relação sexual). São comuns um ou mais sintomas urinários, incluindo o aumento da frequência, urgência, noctúria (necessidade de urinar à noite, o que prejudica o sono), disúria (sensação de dor ou ardor ao urinar), incontinência e infecção do trato urinário.

Síndrome afeta uretra

Um dos principais órgãos alterados pela síndrome é a uretra, canal por onde escoa a urina. Tanto ela quanto suas estruturas adjacentes são ricas em receptores de estrogênio.  Com a redução estrogênica, logo aparecem alterações anatômicas e funcionais que culminam com a incontinência urinária, ou seja, a perda involuntária de urina.

O efeito das mudanças urogenitais da menopausa nas alterações da função sexual é bem conhecido. Em um estudo recente com a participação de 1858 mulheres com média etária de 58 anos, Kingsberg e cols verificaram que muitas mulheres sofrem silenciosamente com dispareunia (dor durante o ato sexual). A maioria delas acreditava que a atrofia vulvovaginal era apenas uma parte natural do envelhecimento e algo com que tinham que conviver. Vários estudos estimam que aproximadamente cinquenta por cento das mulheres pós-menopáusicas sofrem com sintomas vulvovaginais relacionados, incluindo secura vaginal, irritação, dor durante a relação sexual e problemas com a micção.

A ausência de tratamento de qualquer desses sintomas pode contribuir para uma baixa qualidade de vida, marcada pelo desconforto vaginal, dor, disfunção sexual. problemas urinários e perda da autoestima. Os problemas podem também afetar a vida afetiva. Afinal, sintomas de atrofia vulvovaginal impactam na capacidade de alcançar o prazer sexual (75%), no relacionamento com parceiros (67%) e na espontaneidade sexual (66%). Apesar de 71% das participantes serem sexualmente ativas, houve diminuição de desejo sexual em dois terços dessas mulheres em consequência da atrofia vulvovaginal.

Falta de comunicação

Com toda esta dor e desconforto era comum acreditar que as mulheres procuravam avidamente por ajuda para aliviar esses sintomas. Mas pesquisas recentes nos Estados Unidos e na Europa constataram que as mulheres frequentemente não relatam seus sintomas e, por consequência, não recebem tratamento.

Há uma tremenda falta de comunicação em relação à questão do desconforto vaginal. A condição é usualmente “subdiagnosticada e subtratada” em mulheres mais velhas, graças a uma falta de comunicação entre médicos e suas pacientes na pós-menopausa.

Tratamento

São vários os recursos médicos para enfrentar a síndrome. Existem, por exemplo, hidratantes e lubrificantes que podem  fornecer um alívio temporário. Já a terapia de reposição hormonal (TRH) pode proporcionar alívio rápido e em longo prazo, enquanto os sintomas urinários geralmente exigem terapias adicionais mais eficazes. Quando TRH é considerada unicamente para o tratamento da atrofia vaginal, a administração de estrogênio vaginal local é o tratamento recomendado.

Recentemente, estudos demonstraram que o tratamento com o laser induziu uma melhora significativa da saúde vaginal em mulheres pós-menopáusicas. Este estudo lança nova luz sobre o tratamento não hormonal da síndrome gênito-urinária.

 

Encontro médico em BH discutirá saúde genital na menopausa

Os problemas aqui mencionados, que afetam a sexualidade feminina na menopausa, serão discutidos em palestra aberta ao público durante o 10o Congresso Mineiro de Ginecologistas e Obstetras, no próximo dia 12 de maio às 10h30, em Belo Horizonte.

Essa é uma excelente oportunidade para todos terem contato com especialistas, de forma a esclarecer os problemas e conhecer as condutas adequadas.

As inscrições serão abertas em breve no site www.cmgo217.com.br

fale conosco

Entre em contato com a SOGIMIG pelos canais abaixo:

  • Telefone: (31) 3222.6599
  • sogimig@sogimig.org.br
  • Endereço: Av. João Pinheiro, 161, Sala T09, Centro, BH/MG CEP: 30130-180
Ferramentas Médicas

Ferramenta médica

Encontre aqui CID 10, Termos de Consentimento, Tabelas e Fichas.

CLIQUE AQUI

Somente para associados